As “filhas de Jerusalém” são as mulheres a quem a jovem do poema se dirige enquanto fala do seu amado. O livro não diz o nome delas nem explica exatamente quem eram. Pelo modo como aparecem na história, o mais provável é que representem um grupo de jovens mulheres de Jerusalém. Não há, porém, motivo suficiente pra afirmar que eram empregadas do palácio ou que todas eram solteiras.
Elas ajudam a gente a acompanhar a conversa. Logo no começo, a jovem fala com elas sobre sua aparência e explica que sua pele ficou escura por causa do trabalho ao sol (Cântico dos Cânticos 1:5-6). Mais adiante, pede que, se encontrarem seu amado, contem a ele como ela se sente (5:8). Em outros momentos, um grupo de mulheres faz perguntas sobre esse amado, dando à jovem a oportunidade de descrevê-lo (5:9; 6:1). Por isso, é comum entender as filhas de Jerusalém como as vozes femininas que participam do poema, embora nem toda fala coletiva seja identificada pelo nome.
A jovem também se dirige a elas quando fala sobre não despertar o amor antes da hora (2:7; 3:5; 8:4). Esse conselho é importante no livro, mas não prova que aquelas mulheres fossem alunas dela ou que estivessem se preparando pra casar. Mostra, antes, que elas são as ouvintes a quem ela confia seus sentimentos e diante de quem fala sobre o amor.
O nome não indica parentesco entre elas. “Filhas de Jerusalém” é uma maneira de se referir a mulheres ligadas à cidade, assim como “filhas de Sião” é outra expressão usada no livro (3:11). Em Lucas 23:28, Jesus também chama de “filhas de Jerusalém” as mulheres da cidade que choravam por ele. É uma cena muito diferente, mas ajuda a entender a expressão.
Então, a resposta mais segura é esta: em Cântico dos Cânticos, as filhas de Jerusalém são um grupo de mulheres que participa da conversa poética com a jovem amada. Podemos imaginá-las como jovens da cidade, mas a Bíblia não nos dá detalhes suficientes pra dizer exatamente qual era a posição delas ou que relação tinham com o palácio de Salomão.