Jesus quis dizer que não devemos conversar com Deus pedindo sua ajuda e seu perdão enquanto nos recusamos a perdoar alguém. Ao orar, precisamos olhar também pra maneira como estamos tratando as pessoas.
Em Marcos 11:25, Jesus fala da situação de quem tem alguma coisa contra outra pessoa. A orientação dele é direta: perdoe. Isso combina com o que ele ensinou na oração do Pai Nosso: pedimos perdão a Deus e somos chamados a perdoar quem nos ofendeu (Mateus 6:12, 14-15).
Mas isso não significa que conquistamos o perdão de Deus por fazer uma boa ação. A Bíblia ensina que somos perdoados pela graça de Deus, por meio de Cristo (Efésios 1:7; 2:8-9). O ponto de Jesus é outro: há uma contradição séria em querer receber a misericórdia de Deus e, ao mesmo tempo, decidir que não teremos misericórdia de ninguém. A parábola do servo que foi perdoado de uma dívida enorme, mas se recusou a perdoar uma dívida muito menor, mostra bem essa contradição (Mateus 18:21-35).
Perdoar também não é dizer que a ofensa foi pequena, fingir que nada aconteceu ou aceitar novos abusos. É deixar de alimentar o desejo de vingança e entregar a Deus o julgamento daquela situação. Quando for possível, o perdão pode abrir caminho pra uma reconciliação. Mas recuperar a confiança pode levar tempo, e nem sempre é seguro ou possível retomar a relação como era antes.
Talvez a pessoa ainda esteja muito ferida e não consiga deixar de sentir a dor naquele momento. Jesus não está exigindo que ela produza um sentimento instantâneo enquanto ora. Ele a chama a não se agarrar à decisão de nunca perdoar. Ela pode começar com uma oração sincera: reconhecer a mágoa diante de Deus e pedir ajuda pra abandonar o ressentimento.
Portanto, “quando estiverem orando, perdoem” é um convite a orar com sinceridade. Quem se aproxima do Pai pra receber misericórdia não deve fechar o coração à misericórdia que ele nos ensina a oferecer aos outros (Colossenses 3:13).