Não necessariamente. Depende do que a pessoa chama de fetiche, do que ela faz com esse interesse e de como trata a outra pessoa envolvida.
Às vezes, “fetiche” significa apenas achar uma característica do corpo especialmente atraente. Sentir essa atração não é, por si só, pecado. A Bíblia não ensina que marido e mulher precisam sentir desejo exatamente da mesma maneira, nem apresenta uma lista de partes do corpo pelas quais seria errado sentir atração.
Mas o desejo não está acima de tudo. Jesus ensinou que o pecado também pode estar na maneira como alimentamos nossos pensamentos e olhamos pra alguém com intenção de cobiçar (Mateus 5:27-28). Por isso, há uma diferença entre perceber que alguém é atraente e escolher ficar fantasiando sexualmente com essa pessoa. Essa diferença importa tanto pra quem é solteiro quanto pra quem é casado.
No casamento, o casal pode desfrutar da intimidade sexual com liberdade e carinho. Ainda assim, ser casado não dá a ninguém o direito de pressionar o outro. Paulo trata a intimidade do casal como algo que envolve os dois, não como uma exigência imposta por um deles (1 Coríntios 7:3-5). Se uma preferência causa medo, dor, humilhação ou desconforto ao cônjuge, a resposta amorosa não é insistir. É ouvir, respeitar e conversar.
Também vale perguntar quanto espaço esse interesse está ocupando. Uma preferência se torna um problema quando passa a dominar os pensamentos, parece indispensável pra qualquer intimidade ou leva a pessoa a tratar o cônjuge como um meio de satisfazer um desejo, em vez de amá-lo como pessoa. A Bíblia chama o cristão a viver com domínio próprio e a tratar os outros com honra (1 Tessalonicenses 4:3-5).
Pra quem é solteiro, não é preciso sentir culpa por toda atração que aparece. O cuidado está em não alimentar fantasias ou práticas sexuais que contrariem aquilo que a Bíblia ensina sobre pureza. Isso não significa tentar impedir à força qualquer pensamento de surgir, mas escolher o que fazer quando ele surge.
Então, o nome “fetiche” não resolve a questão sozinho. Uma atração específica pode ser apenas uma preferência. O que precisa ser examinado é se ela está levando à cobiça, à perda de domínio próprio ou à falta de respeito pelo outro. A pergunta mais útil não é só “Eu gosto disso?”, mas também: “O modo como lido com esse desejo honra a Deus e faz bem à outra pessoa?”