Festa dos Pães sem Fermento, também chamados *pães asmos* — começava logo depois da Páscoa e durava sete dias. Recordava a saída apressada do Egito, quando o povo não teve tempo de deixar a massa fermentar (Êxodo 12:33-39; Levítico 23:6-8). Paulo usa a retirada do fermento como uma comparação pra falar de abandonar o pecado e viver de modo sincero diante de Deus (1 Coríntios 5:6-8).
3. Festa das Primícias — nela, Israel apresentava a Deus uma oferta dos primeiros frutos da colheita. Era uma maneira de reconhecer que a terra e seu alimento vinham dele (Levítico 23:9-14). Paulo chama Jesus ressuscitado de “primícias” dos que morreram: a ressurreição dele é a garantia de que os que pertencem a Cristo também ressuscitarão (1 Coríntios 15:20-23).
4. Festa das Semanas, chamada de Pentecostes no Novo Testamento — era celebrada cinquenta dias depois da oferta das primícias e marcava outra etapa da colheita (Levítico 23:15-21). Foi durante o Pentecostes que o Espírito Santo veio sobre os discípulos de Jesus, como conta Atos 2. A festa tinha um significado próprio pra Israel; esse acontecimento lhe dá também uma importância especial pra história da igreja.
5. Festa das Trombetas — acontecia no primeiro dia do sétimo mês. O som das trombetas convocava o povo pra um dia de descanso e reunião diante de Deus (Levítico 23:23-25; Números 29:1). O Novo Testamento também fala de uma trombeta ligada à volta de Cristo e à ressurreição dos que são dele (1 Tessalonicenses 4:16). Essa ligação é importante, mas a Bíblia não diz expressamente que a festa anuncia uma data ou uma sequência detalhada de acontecimentos futuros.
6. Dia da Expiação — era um dia solene de jejum, arrependimento e sacrifícios pelos pecados do povo. Uma vez por ano, o sumo sacerdote entrava na parte mais sagrada do tabernáculo pra realizar o ritual determinado por Deus (Levítico 16; 23:26-32). Hebreus 9 e 10 explicam por que Jesus é maior que esse antigo sistema: ele ofereceu a própria vida de uma vez por todas, em vez de repetir sacrifícios a cada ano.
7. Festa dos Tabernáculos, ou das Cabanas — durante sete dias, os israelitas moravam em abrigos temporários. Assim, as novas gerações se lembravam de que Deus cuidou do povo durante sua caminhada pelo deserto. A festa também era uma ocasião de alegria pela colheita (Levítico 23:33-43). Ela nos convida a lembrar do cuidado de Deus; algumas interpretações cristãs também a relacionam à esperança futura de viver com ele.
Então, por que às vezes se fala em sete festas se existem outras festas judaicas? Porque essas sete formam o conjunto de celebrações anuais apresentado em Levítico 23. O capítulo também menciona o sábado semanal, mas ele não é contado entre as sete festas anuais.
Além delas, a Bíblia conta a origem do Purim, instituído pra celebrar o livramento dos judeus narrado no livro de Ester (Ester 9:20-28). O Novo Testamento ainda menciona a Festa da Dedicação, hoje conhecida como *Hanucá*, durante a qual Jesus esteve em Jerusalém (João 10:22-23). Essas duas festas não fazem parte da lista de Levítico 23.
Para os cristãos, conhecer essas celebrações ajuda a entender melhor a história de Israel e o que o Novo Testamento ensina sobre Jesus. Isso não significa que o cristão seja obrigado a guardar o calendário religioso de Israel. Paulo orienta que ninguém seja julgado pela observância de festas e dias religiosos (Colossenses 2:16-17). O mais importante é perceber o que aquelas festas ensinavam ao povo e como, em especial na Páscoa, nas Primícias e no Dia da Expiação, elas ajudam a compreender a obra de Cristo.