Era a ocasião em que os israelitas apresentavam a Deus a primeira parte da colheita. Antes de comer dos grãos recém-colhidos, eles levavam um feixe ao sacerdote. Assim, reconheciam que a terra onde viviam e o alimento que ela produzia eram presentes de Deus (Levítico 23:9-14).
A festa acontecia no período da Páscoa, quando Israel também se lembrava de que Deus o havia libertado do Egito. Segundo Levítico 23, o sacerdote apresentava o feixe diante do Senhor “no dia seguinte ao sábado”. A maneira exata de identificar esse sábado foi entendida de formas diferentes; por isso, não é seguro afirmar que a festa sempre caía no dia 16 do mês judaico de nisã.
O feixe vinha dos primeiros grãos da colheita — nesse período, geralmente a cevada. Também eram apresentados um cordeiro e ofertas de cereal e vinho. Só depois dessa apresentação o povo podia comer da nova colheita (Levítico 23:10-14). O gesto era simples, mas dizia muito: antes de aproveitar o que havia recebido, Israel reconhecia aquele que lhe dera a terra e sustentava seu povo.
A Festa das Primícias também ajudava a marcar o tempo até outra celebração. A partir daquele dia, os israelitas contavam sete semanas e então celebravam a Festa das Semanas, ligada à colheita do trigo (Levítico 23:15-17; Êxodo 34:22).
No Novo Testamento, Paulo usa a palavra *primícias* pra explicar a importância da ressurreição de Jesus. Ele chama Cristo de primícias dos que morreram (1 Coríntios 15:20-23). Pense na primeira parte de uma colheita: ela já chegou, mas ainda há mais por vir. Do mesmo modo, Jesus já ressuscitou, e sua ressurreição é a garantia de que aqueles que pertencem a ele também ressuscitarão.
Esse é o significado cristão mais importante da imagem das primícias. A festa ensinava Israel a agradecer a Deus pelo começo da colheita; a ressurreição de Cristo dá aos cristãos a esperança de que a morte não será o fim.