A Bíblia não fala diretamente sobre a fertilização in vitro, ou FIV. Essa técnica não existia nos tempos bíblicos. Por isso, não dá pra dizer que a Bíblia aprova ou proíbe todo tratamento de FIV. O que ela nos dá são princípios pra avaliar como o tratamento será feito e o que acontecerá com os embriões.
Na FIV, o óvulo é fertilizado fora do corpo da mulher, formando um embrião. Depois, um ou mais embriões podem ser colocados no útero na tentativa de iniciar uma gravidez. Até aqui, é importante separar duas perguntas: buscar ajuda médica pra ter um filho é errado? E todos os procedimentos usados na FIV são aceitáveis? A resposta à primeira não resolve automaticamente a segunda.
Buscar tratamento não significa falta de fé. A dificuldade de ter filhos pode trazer muita dor, e a Bíblia não ensina que um casal precise recusar ajuda médica pra provar que confia em Deus. Também não é justo dizer que quem procura a FIV está sendo impaciente ou tentando passar por cima da vontade divina. Não temos como saber por que determinado casal não consegue ter filhos, nem se deve ou não buscar esse tratamento.
A questão moral mais difícil costuma estar no cuidado com os embriões. A Bíblia apresenta a vida humana como preciosa e descreve o cuidado de Deus com a pessoa ainda no ventre da mãe (Salmo 139:13-16). Ela não trata diretamente do embrião formado em laboratório nem descreve em termos médicos o início da vida humana. Ainda assim, esses ensinamentos levam muitos cristãos a entender que o embrião deve ser tratado como vida humana a ser protegida, não como material que pode ser descartado por conveniência.
Isso importa porque alguns tratamentos formam mais embriões do que o casal pretende usar naquele momento. Os embriões restantes podem ser congelados, e o casal precisará decidir o que fazer com eles no futuro. Congelar um embrião não é o mesmo que destruí-lo; por outro lado, deixar essa decisão pra depois não faz a dificuldade desaparecer. Para quem entende que a vida humana deve ser protegida desde a fertilização, criar embriões sem um plano responsável pra cuidar de todos eles é uma preocupação séria.
Também é preciso distinguir uma perda que acontece apesar dos cuidados de uma decisão de descartar embriões. Nem todo embrião transferido resulta numa gravidez, mesmo quando se faz o possível pra que isso aconteça. Essa possibilidade, por si só, não é a mesma coisa que destruir um embrião deliberadamente. O casal precisa entender as chances e os procedimentos, mas não pode controlar o resultado.
Há outras decisões que merecem atenção, como o uso de óvulos ou espermatozoides de doadores. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia chegam a conclusões diferentes sobre esse ponto, especialmente por causa das perguntas que ele levanta sobre casamento e parentesco. Por isso, não basta perguntar se o casal fará “FIV”: é preciso saber qual tratamento está sendo proposto e quais decisões ele exigirá.
Então, a resposta mais honesta é esta: a Bíblia não condena a FIV pelo nome nem ensina que procurar tratamento seja errado. Ao mesmo tempo, ela nos dá razões fortes pra levar a sério a proteção dos embriões. Antes de decidir, o casal pode pedir à equipe médica uma explicação clara: quantos óvulos serão fertilizados, o que será feito com cada embrião e quais escolhas poderão surgir depois. Com essas informações, poderá orar, conversar e tomar uma decisão consciente diante de Deus, sem agir por pressão nem tratar uma questão tão importante como se fosse apenas um detalhe técnico.