João está falando de algo que existiu, deixou de estar presente da mesma maneira e voltará a aparecer. O anjo não explica, porém, todos os detalhes dessa sequência. Por isso, dá pra entender a ideia principal do versículo sem afirmar com certeza *como* ela vai acontecer.
Em Apocalipse 17, João vê uma mulher chamada Babilônia montada numa besta de sete cabeças e dez chifres. O anjo explica que a mulher está ligada ao poder dos reis da terra e que a besta caminha pra destruição (Apocalipse 17:7-18). Ao dizer que ela “era, não é e virá”, ele destaca seu reaparecimento. Isso vai espantar as pessoas que a virem e as levará a admirá-la. Mas o mesmo versículo deixa claro: a besta não terá a palavra final.
Há duas maneiras principais de entender esse reaparecimento. Uma relaciona Apocalipse 17:8 com a cabeça da besta que, em Apocalipse 13:3, parece ter recebido um ferimento mortal, mas depois aparece curada. Nessa leitura, o texto pode estar falando da aparente morte e volta de um governante. A ligação é possível, mas Apocalipse 17:8 não diz expressamente que a besta morreu e ressuscitou.
A outra maneira entende a besta como um poder político que desaparece e depois ressurge. Alguns associam esse poder a Roma e a uma futura forma de seu domínio. O próprio capítulo menciona reis e reinos, o que dá motivo pra considerar essa leitura (Apocalipse 17:9-12). Ainda assim, o texto não afirma claramente que o antigo Império Romano será reconstruído. Esse detalhe pertence à interpretação, não à explicação direta do anjo.
O ponto mais importante é o contraste: a besta pode causar espanto e parecer poderosa, mas seu poder é passageiro. Apocalipse 17:8 diz que ela caminha pra destruição. Assim, a frase “era, não é e virá” não é um convite pra temê-la como se fosse invencível. Ela prepara o leitor pra reconhecer que seu reaparecimento impressionará muita gente, sem mudar o fim que Deus já anunciou pra ela.