“Fel” é uma palavra usada pra falar de algo muito amargo. Dependendo da passagem, pode se referir a uma substância amarga ou venenosa, ou ser uma maneira de descrever sofrimento e maldade. O sentido fica mais claro quando vemos o que está acontecendo em cada texto.
O exemplo mais conhecido aparece na crucificação de Jesus. Mateus conta que lhe ofereceram vinho misturado com fel. Marcos descreve a bebida como vinho misturado com mirra (Mateus 27:34; Marcos 15:23). Eram descrições de uma mistura amarga, possivelmente oferecida pra aliviar a dor. Jesus provou a bebida, mas não quis tomá-la. A Bíblia não explica exatamente por que ele recusou, então não dá pra afirmar que aceitá-la teria diminuído o valor de seu sacrifício.
Mais tarde, já na cruz, Jesus recebeu vinho azedo, também chamado de vinagre (João 19:28-30). É importante não confundir esse momento com a oferta que ele havia recusado antes.
O Salmo 69:21 fala de alguém que, em meio ao sofrimento, recebe algo amargo pra comer e vinagre pra beber. Os acontecimentos da crucificação lembram essas palavras. Assim, o salmo ajuda a entender o sofrimento de Jesus, embora tenha sido escrito originalmente como o lamento de uma pessoa aflita.
Em outras passagens, a amargura não está numa bebida. Quando Pedro diz a Simão que ele está em “fel de amargura”, está usando uma figura de linguagem pra denunciar a condição do coração daquele homem: Simão havia tentado comprar com dinheiro o poder de conceder o Espírito Santo (Atos 8:18-23). Já em Deuteronômio 29:18, a ideia de uma raiz que produz veneno e amargura serve de alerta contra a idolatria e suas consequências.
Portanto, fel na Bíblia aponta pra algo intensamente amargo, seja uma mistura oferecida a Jesus, seja uma imagem usada pra falar do pecado e de seus efeitos. Pra entender cada ocorrência, o mais importante é olhar o contexto, em vez de presumir que a palavra sempre indica a mesma substância.