Pode ser, sim. Quando reunir muitas pessoas aumenta o risco de transmitir uma doença grave, suspender os cultos presenciais por um tempo pode ser uma maneira responsável de proteger a comunidade. Isso não significa que a igreja deixou de existir, nem que os cristãos deixaram de adorar a Deus. Mas também não significa que os encontros presenciais não façam falta ou possam ser abandonados sem preocupação.
A Bíblia chama a igreja de corpo de Cristo: pessoas unidas a ele e umas às outras, não um prédio (1 Coríntios 12:27). Por isso, fechar temporariamente as portas de um templo não é “fechar a igreja”. Durante uma emergência, os cristãos ainda podem orar, ensinar a Palavra, cuidar de quem está sozinho e ajudar quem precisa. Ao mesmo tempo, reunir-se é uma parte importante da vida cristã. Hebreus 10:24-25 incentiva os irmãos a se encontrarem e a se encorajarem. Um culto transmitido pela internet pode ajudar muito por um período, mas não substitui por completo a convivência da igreja.
Também importa o motivo da restrição. Romanos 13:1-7 e 1 Pedro 2:13-14 ensinam os cristãos a respeitar as autoridades. Se uma medida de saúde limita reuniões de vários tipos para proteger a população, a igreja tem bons motivos para cooperar. A situação é diferente quando uma autoridade proíbe especificamente a pregação de Jesus. Foi diante de uma ordem assim que os apóstolos afirmaram que precisavam obedecer a Deus antes que aos homens (Atos 5:27-29). Portanto, não basta dizer que toda restrição a um culto é perseguição; é preciso olhar para o que foi determinado, por quê e como a regra está sendo aplicada.
O cuidado com a vida das pessoas também deve pesar na decisão. Amar o próximo inclui pensar em quem pode adoecer depois de um encontro, inclusive alguém que nem esteve presente nele. Tomar precauções diante de um risco real não é falta de fé. Uma igreja pode, conforme a situação, suspender reuniões por um tempo, fazer encontros menores ou ao ar livre, manter contato com os membros e prestar ajuda prática à comunidade.
A resposta, então, não é uma regra única para toda pandemia, lugar ou momento. Fechar temporariamente os templos pode ser a decisão certa quando isso protege as pessoas e permite que a igreja continue cuidando delas de outras maneiras. Mas a medida deve ser reavaliada conforme as condições mudam, sem perder de vista o valor de voltar a se reunir com segurança. O objetivo não é escolher entre fé e cuidado: é permanecer fiel a Deus enquanto se cuida do próximo.