Na Bíblia, fé e crença não são duas coisas separadas. Quando o Novo Testamento fala em crer em Jesus, fala da confiança que também chamamos de fé. João, por exemplo, diz que escreveu seu Evangelho para que as pessoas cressem que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e tivessem vida por meio dele (João 20:31).
A confusão aparece porque, numa conversa comum, usamos as palavras de maneiras um pouco diferentes. Alguém pode dizer “eu creio que Jesus existiu” querendo dizer apenas que aceita esse fato como verdadeiro. Já “tenho fé em Jesus” costuma dar a ideia de confiar nele. Essa diferença pode ajudar a explicar o assunto, mas não é uma regra pra impor aos textos bíblicos.
O ponto decisivo é o que a pessoa quer dizer com “crer”. Tiago afirma que até os demônios creem que Deus é um só (Tiago 2:19). Eles sabem algo verdadeiro sobre Deus, mas não confiam nele nem se voltam a ele. Por isso, saber quem Deus é ou concordar com informações sobre Jesus não é, por si só, a fé que salva.
Crer em Jesus no sentido bíblico é reconhecer quem ele é e confiar nele pra receber o perdão e a vida que ele oferece. Não se trata de achar que a nossa confiança é forte o bastante pra nos salvar, nem de merecer a salvação por nossas atitudes. A salvação é um presente de Deus, recebido pela fé, não uma recompensa por obras (Efésios 2:8-9). Ao mesmo tempo, essa fé não fica limitada ao que a pessoa diz acreditar: ela começa a aparecer na maneira como vive. É por isso que Tiago diz que uma fé sem obras está morta (Tiago 2:17).
Então, não precisamos procurar uma diferença fixa entre as palavras *fé* e *crença*. A pergunta mais importante é: estou apenas concordando com o que a Bíblia diz sobre Jesus ou estou confiando nele?