Jesus não usa a expressão “fé de uma criança”, mas ensina que precisamos nos tornar como crianças para entrar no reino de Deus. Ele não está dizendo que devemos acreditar em tudo sem pensar. Está falando, sobretudo, da humildade com que nos aproximamos de Deus.
Em Mateus 18:1-5, os discípulos perguntaram a Jesus quem seria o maior no reino dos céus. Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse que precisavam mudar e se tornar como crianças. Em seguida, explicou o ponto principal: quem se humilha como aquela criança é o maior no reino.
A resposta de Jesus contrariava a preocupação dos discípulos com posição e importância. Uma criança não chegava diante deles reivindicando autoridade ou um lugar de destaque. Da mesma forma, ninguém entra no reino de Deus por se achar melhor que os outros ou por pensar que merece estar lá. Precisamos reconhecer que dependemos dele.
Jesus voltou a falar de crianças quando disse que o reino de Deus deve ser recebido como uma criança o recebe (Marcos 10:13-16). A ideia não é que toda criança seja naturalmente humilde ou que sua fé seja sempre um exemplo. O próprio Jesus mostrou qual atitude queria destacar: receber o reino, em vez de tentar conquistá-lo pelo próprio mérito.
Isso não significa ter uma fé ingênua. A Bíblia nos incentiva a crescer no conhecimento de Cristo e a não nos deixar levar por ensinamentos falsos (Efésios 4:14-15). Podemos fazer perguntas, aprender e examinar o que ouvimos. Humildade não é deixar de pensar; é estar disposto a ouvir a Deus e confiar nele.
Portanto, se alguém chama essa atitude de “fé de uma criança”, a expressão pode ajudar, desde que seja bem entendida. Jesus nos chama a deixar de lado a pretensão de sermos autossuficientes e a receber, com confiança e humildade, o que Deus nos oferece em Cristo.