Acreditar é algo que a pessoa faz, sim. Mas a pergunta decisiva é outra: ter fé é fazer algo que nos torna merecedores da salvação? A resposta da Bíblia é não. Somos salvos por causa do que Jesus fez por nós, não porque conseguimos apresentar a Deus uma fé tão boa que ele passou a nos dever a salvação.
Paulo explica essa diferença em Romanos 4:4-5. Quem trabalha recebe um pagamento pelo que fez. Já quem crê em Deus recebe dele a justiça que não conseguiu conquistar. Por isso, embora crer seja uma resposta real, a fé não funciona como um serviço prestado a Deus em troca do perdão. Ela é confiar em Jesus pra receber aquilo que não poderíamos obter por esforço próprio.
É nesse sentido que Efésios 2:8-9 diz que somos salvos pela graça, mediante a fé, e não por obras. A graça é a razão de Deus nos salvar; Jesus é quem tornou essa salvação possível; a fé é a maneira de recebê-la. Se alguém pudesse dizer “Deus me salvou porque eu fui bom o suficiente”, já não estaria falando de graça.
Isso também ajuda a entender uma fala de Jesus que pode causar dúvida. Em João 6:28-29, as pessoas perguntam que obras devem fazer, e Jesus responde que a obra que Deus requer é crer naquele que ele enviou. Jesus não está ensinando que acreditar é mais uma tarefa capaz de comprar a salvação. Diante de pessoas que queriam saber o que precisavam realizar, ele aponta pra si mesmo: elas precisavam confiar naquele que Deus havia enviado.
E as boas obras? Elas importam, mas vêm depois, não como pagamento pela salvação. Logo após dizer que não somos salvos por obras, Efésios 2:10 diz que fomos criados em Cristo pra praticá-las. Tiago 2 também ensina que uma fé que nunca aparece na maneira de viver é uma fé morta. Portanto, as boas obras não substituem a fé nem tornam a pessoa merecedora do perdão; elas mostram que essa fé é verdadeira.
Então, sim, é preciso crer em Jesus. Mas crer não é acrescentar uma contribuição à obra dele. É deixar de confiar na própria capacidade de se salvar e confiar nele.