Paulo não está dizendo que nada mais na vida cristã importa. Ele está respondendo a uma questão bem específica: o que faz uma pessoa ser aceita por Deus e como essa nova vida aparece nela? Em Gálatas 5:6, ele diz que ser circuncidado ou não ser circuncidado não dá a ninguém uma posição melhor diante de Deus. O que importa é a fé que atua por meio do amor.
Naquela época, algumas pessoas ensinavam que, pra fazer parte do povo de Deus, os cristãos precisavam seguir exigências da Lei de Moisés, como a circuncisão. Paulo se opõe a isso porque ninguém consegue conquistar a aceitação de Deus cumprindo regras. É por meio de Cristo que somos aceitos, e recebemos essa graça pela fé (Gálatas 2:16; 5:2-5). A circuncisão, por si só, não tornava ninguém mais próximo de Deus; a falta dela também não tornava ninguém menos aceito em Cristo.
Mas Paulo também não está falando de uma fé que fica só nas palavras. Quem confia em Cristo recebe o Espírito Santo, e o amor é um dos frutos que o Espírito produz nessa pessoa (Gálatas 5:22). Por isso, alguns versículos depois, Paulo diz que a liberdade que temos em Cristo não é uma desculpa pra fazer tudo o que queremos. Ela nos permite servir uns aos outros com amor (Gálatas 5:13).
Essa é a ligação entre fé e amor: não amamos pra comprar o favor de Deus; amamos porque fomos alcançados pela graça dele. A fé se volta pra Cristo, e o amor mostra essa fé em ação no modo como tratamos as pessoas. Isso não significa que o cristão ama perfeitamente. Significa que sua confiança em Cristo começa a aparecer na vida real, à medida que ele anda pelo Espírito (Gálatas 5:16, 25).
Então, quando Paulo diz que a fé que atua por meio do amor é o que vale, ele não está trocando a circuncisão por outra maneira de merecer a salvação. Ele está mostrando a diferença entre confiar numa marca ou numa regra e confiar em Cristo. Essa confiança não precisa provar seu valor pra Deus, mas produz algo que os outros podem perceber: amor.