No Salmo 110:1, Deus promete colocar os inimigos de alguém debaixo dos seus pés. Esse alguém não é Davi nem cada pessoa que lê o salmo. É o rei que Davi chama de “meu senhor”, identificado no Novo Testamento como Jesus, o Messias (Mateus 22:41-45; Atos 2:34-36).
A imagem do estrado vem do costume de um rei apoiar os pés sobre algo que ficava abaixo do seu trono. No salmo, ela significa que os inimigos de Jesus serão derrotados e não poderão impedir seu governo. Não é uma instrução pra que os seguidores de Jesus tratem pessoas como inferiores, nem uma promessa de que Deus vai castigar todo mundo que nos contraria.
O começo do salmo ajuda a entender quem recebe a promessa. Davi apresenta Deus falando com alguém a quem ele próprio chama de “meu senhor” e convida essa pessoa a ocupar o lugar de honra à sua direita. Jesus chamou a atenção pra esse detalhe: se o Messias é descendente de Davi, por que Davi o chama de senhor? A pergunta mostra que o Messias é mais do que um rei comum da família de Davi (Mateus 22:41-45). Os apóstolos ensinaram que Jesus, depois de ressuscitar, foi exaltado por Deus e reina nesse lugar de honra (Atos 2:32-36; Hebreus 1:13).
Isso não quer dizer que todos os inimigos já desapareceram. O Novo Testamento ensina que Jesus reina agora, mas que sua vitória ainda será plenamente vista. Paulo diz que ele reinará até que todos os seus inimigos sejam submetidos e aponta a morte como o último inimigo a ser destruído (1 Coríntios 15:25-26). Assim, a promessa é maior do que vencer pessoas que se opõem a ele: inclui o fim da morte e de tudo o que se levanta contra o governo de Deus.
E o que isso muda pra nós? Podemos confiar que o mal não terá a palavra final, sem tomar pra nós a tarefa de punir quem nos faz mal. Jesus mandou seus seguidores amar os inimigos e orar por quem os maltrata (Lucas 6:27-28). Paulo também ensinou a não buscar vingança, mas a deixar o julgamento nas mãos de Deus (Romanos 12:19).
Portanto, o Salmo 110:1 anuncia a vitória de Jesus, não a nossa revanche pessoal. Quem pertence a ele tem esperança nessa vitória e, enquanto espera, é chamado a tratar até seus inimigos do modo que Jesus ensinou.