Ser farisaico é dar muita importância à aparência de obediência a Deus, enquanto se deixa de lado aquilo que ele realmente pede: sinceridade, justiça, misericórdia e amor. A palavra vem dos fariseus, um grupo religioso dos dias de Jesus. No uso comum, ela descreve especialmente quem cobra dos outros uma conduta que não pratica ou se considera melhor por seguir certas regras.
Isso não quer dizer que todo fariseu fosse igual, nem que levar a fé a sério seja um defeito. O problema que Jesus denunciou foi outro. Em Mateus 23, ele criticou líderes que ensinavam às pessoas o que fazer, mas não viviam de acordo com o próprio ensino. Eles exigiam muito dos outros e gostavam de ser vistos como exemplos de devoção. Por fora, pareciam corretos; por dentro, havia coisas que precisavam mudar.
Jesus também mostrou que uma tradição religiosa pode atrapalhar quando passa a ter mais peso do que a palavra de Deus. Em Marcos 7:6-13, ele repreendeu pessoas que honravam a Deus com palavras, mas usavam suas tradições de um jeito que as levava a deixar de cumprir um mandamento divino. Seguir regras, portanto, não substitui obedecer a Deus de coração.
Imagine alguém que critica duramente uma pessoa por não seguir um costume da igreja, mas trata mal a família e não reconhece os próprios erros. O problema não é valorizar a fé nem ter convicções. É usar uma regra pra parecer justo ou julgar os outros, enquanto ignora o que Deus também exige de si mesmo.
Por isso, chamar alguém de farisaico não deveria ser apenas uma forma de dizer “essa pessoa é rigorosa demais”. A pergunta mais importante é se nossas palavras e nossas atitudes combinam. Jesus ensinou seus seguidores a abandonar a preocupação com a aparência de santidade e a buscar uma obediência verdadeira, que também apareça na maneira de tratar as pessoas (Mateus 23:23; Tiago 1:27).