O faraó Neco foi um rei do Egito que aparece na Bíblia num momento decisivo da história de Judá. Ele é geralmente identificado como Neco II, que governou por volta de 610 a 595 a.C. Seu nome ficou ligado à morte do rei Josias, à escolha de um novo rei pra Judá e a uma grande derrota do Egito diante da Babilônia.
Naquela época, a Assíria estava perdendo o poder que tinha sobre a região, enquanto a Babilônia se tornava cada vez mais forte. Neco levou seu exército para o norte, em direção ao rio Eufrates, onde o Egito tentava manter sua influência e ajudar os assírios. No caminho, o rei Josias, de Judá, saiu para enfrentá-lo em Megido. Segundo 2 Crônicas 35:20-24, Neco avisou Josias para não interferir, mas Josias entrou na batalha e foi ferido. Ele morreu pouco depois. O relato de 2 Reis 23:29 também liga a morte de Josias ao encontro com Neco em Megido.
A morte de Josias não encerrou a influência egípcia sobre Judá. O povo colocou Jeoacaz, filho de Josias, no trono, mas ele reinou apenas três meses. Neco o depôs e o levou para o Egito. Em seu lugar, colocou outro filho de Josias, Eliaquim, e mudou seu nome para Jeoaquim. Neco também exigiu de Judá um pagamento em prata e ouro (2 Reis 23:31-35). Isso mostra que, naquele momento, o faraó tinha poder até pra decidir quem governaria o reino.
Alguns anos depois, o próprio Egito sofreu uma derrota que mudou essa situação. Em 605 a.C., o exército egípcio de Neco foi derrotado em Carquemis pelos babilônios comandados por Nabucodonosor, filho de Nabopolassar. Jeremias 46:2 menciona essa batalha, e 2 Reis 24:7 diz que o rei do Egito deixou de sair de seu país porque a Babilônia havia tomado os territórios que antes estavam sob seu controle, do ribeiro do Egito até o rio Eufrates.
Assim, Neco não foi o faraó do tempo de Moisés, mas um governante de muitos séculos depois. Pra entender sua importância na Bíblia, basta lembrar destes três acontecimentos: Josias morreu ao enfrentá-lo; Neco depôs Jeoacaz e colocou Jeoaquim no trono; e, depois, seu exército foi derrotado pela Babilônia. Sua história ajuda a explicar por que Judá passou da influência do Egito para a da Babilônia, antes dos acontecimentos que levariam ao exílio.