Depende do que está sendo imaginado e do que a pessoa faz com esse pensamento. Sentir atração, lembrar de alguém ou ter uma imagem sexual que surgiu sem querer não é a mesma coisa que escolher alimentar uma fantasia. A Bíblia nos chama a cuidar não só do que fazemos, mas também do que desejamos e cultivamos na mente.
Jesus ensinou que o adultério não começa apenas quando duas pessoas vão pra cama. Ele também falou do olhar dirigido a alguém com a intenção de desejar sexualmente essa pessoa (Mateus 5:27-28). Por isso, imaginar de propósito uma relação sexual com alguém que não é seu cônjuge, voltar a essa cena e usá-la pra alimentar o desejo não se torna algo inocente só porque aconteceu na imaginação.
Isso não quer dizer que todo pensamento sexual seja pecado. A Bíblia trata a intimidade sexual no casamento como algo bom, e não como algo sujo (Provérbios 5:18-19; Hebreus 13:4). Pensar com desejo no próprio cônjuge pode fazer parte dessa intimidade. Ainda assim, estar casado não torna boa qualquer fantasia: respeito e cuidado com o outro também importam.
A distinção mais importante é entre um pensamento que aparece e um pensamento que escolhemos desenvolver. Nem sempre controlamos a primeira ideia que vem à mente. Mas podemos decidir se vamos continuar nela. Tiago explica que o desejo pode nos atrair e, quando é acolhido e alimentado, conduzir ao pecado (Tiago 1:14-15). Se uma fantasia leva você a desejar aquilo que Deus não aprova, o caminho não é se entregar a ela nem se desesperar porque o pensamento apareceu. É reconhecer o que está acontecendo e deixar de alimentá-lo.
Na prática, isso pode significar parar de procurar conteúdos que provocam essas fantasias, interromper um pensamento recorrente e dirigir a atenção pra outra coisa. Se você percebeu que cultivou um desejo errado, pode confessá-lo a Deus e pedir perdão. A promessa de 1 João 1:9 é que ele perdoa quem confessa seus pecados. E, se esses pensamentos se tornaram persistentes e estão causando sofrimento, conversar com um pastor de confiança ou um profissional qualificado também pode ajudar.
Então, a resposta não é “toda fantasia sexual é errada”, nem “não importa o que eu imagino, desde que não faça”. O que surge sem convite não deve ser confundido com o que escolhemos alimentar. E o que alimentamos na mente também faz parte da nossa vida diante de Deus.