Em Colossenses 1:24, Paulo diz que, ao sofrer pela igreja, completa em seu corpo “o que falta” nas aflições de Cristo. Isso não quer dizer que a morte de Jesus tenha sido insuficiente pra nos salvar. O que faltava não era mais sofrimento pra pagar pelos pecados. Cristo já fez isso. Paulo está falando dos sofrimentos que ainda enfrentaria ao servir a Jesus e levar sua mensagem às pessoas.
O próprio contexto ajuda a entender. Logo depois dessa frase, Paulo explica que recebeu de Deus a tarefa de anunciar a palavra de Cristo à igreja (Colossenses 1:25-29). Essa tarefa lhe custava caro. Ele foi perseguido, espancado e preso por causa do evangelho (2 Coríntios 11:23-28). Ao dizer que sofria “a favor” da igreja, Paulo não está afirmando que sua dor salvava alguém. Ele sofria porque continuava anunciando a mensagem pela qual as pessoas conheceriam Jesus e seriam fortalecidas na fé.
Por que, então, ele chama esses sofrimentos de “aflições de Cristo”? Porque eram aflições enfrentadas por causa de Cristo e de sua obra. Jesus havia avisado que seus seguidores encontrariam oposição (João 15:18-20). Paulo via essa oposição acontecer em sua própria vida. Não era Cristo precisando sofrer mais para concluir sua obra na cruz; era um servo de Cristo sofrendo enquanto cumpria a missão que recebeu dele.
É importante perceber a diferença: a salvação foi realizada por Jesus; o anúncio dessa salvação continua sendo feito por seus servos, muitas vezes em meio a dificuldades. A carta aos Hebreus afirma que o sacrifício de Cristo é suficiente (Hebreus 10:10-14). Nenhum sofrimento de Paulo poderia acrescentar algo a esse sacrifício.
Assim, quando Paulo fala do que “falta”, ele se refere às aflições que ainda enfrentaria no serviço a Cristo e à igreja. Ele podia se alegrar não por gostar de sofrer, mas porque sabia que, mesmo em meio ao sofrimento, seu trabalho estava ajudando outras pessoas a conhecer e seguir Jesus.