Em Atos 2, os discípulos começaram a falar em idiomas que não tinham aprendido. Foi o Espírito Santo quem lhes deu essa capacidade. Sabemos que eram idiomas compreendidos por outras pessoas porque, logo em seguida, visitantes de várias regiões disseram que os ouviam falar em sua própria língua materna (Atos 2:6-11).
Isso aconteceu no dia de Pentecostes, quando havia em Jerusalém judeus vindos de muitos lugares. A multidão ficou admirada: aqueles que falavam eram galileus, mas pessoas de diferentes regiões entendiam o que eles diziam. E o assunto da fala deles também aparece no relato: estavam contando as grandezas de Deus (Atos 2:11). Depois, Pedro anunciou Jesus à multidão, e cerca de três mil pessoas receberam sua mensagem e foram batizadas naquele dia (Atos 2:14-41).
Então, nesse episódio, “falar em outras línguas” não significa falar palavras sem sentido para quem ouvia. Significa falar, por ação do Espírito, em línguas que aqueles visitantes reconheciam. O sinal chamou a atenção de pessoas de muitos lugares e acompanhou o anúncio da mensagem sobre Jesus.
Isso não quer dizer, porém, que todo cristão precise passar pela mesma experiência. Atos 2 conta o que aconteceu naquele Pentecostes; não dá uma ordem para que todos falem em línguas. Quando Paulo trata dos dons dados pelo Espírito, ele mostra que nem todos recebem o mesmo dom — inclusive o de línguas (1 Coríntios 12:29-30).
Também é bom não tirar desse relato uma conclusão maior do que ele permite. Atos 2 deixa claro que aquelas línguas foram entendidas como idiomas humanos pelos ouvintes. Já outras passagens sobre o dom de línguas, especialmente em 1 Coríntios 12–14, levantam questões próprias e são interpretadas de maneiras diferentes por cristãos que levam a Bíblia a sério. Para entender Atos 2:4, o ponto principal é simples: o Espírito capacitou os discípulos a falar de Deus a pessoas que vinham de diferentes povos e falavam diferentes línguas.