Porque a expressão pode ter sentidos diferentes. Quando Deus chama Ezequiel de “filho do homem”, está falando com ele como um ser humano. Quando Jesus chama a si mesmo de “o Filho do Homem”, usa a expressão para falar tanto da sua vida humana quanto da autoridade que recebeu de Deus. O contexto é que mostra a diferença.
No começo do livro de Ezequiel, o profeta vê uma manifestação impressionante da glória de Deus. Logo depois, Deus se dirige a ele como “filho do homem” e lhe dá uma missão (Ezequiel 1:28–2:3). Nesse contexto, a expressão lembra que Ezequiel é humano: ele recebe a mensagem, mas não é a fonte dela. Isso não faz dele o Messias, assim como não diminui sua importância como profeta.
Com Jesus, há algo a mais. Ele realmente se tornou humano, e esse título combina com o que os Evangelhos contam sobre sua vida: ele viveu entre as pessoas, sofreu e morreu (Marcos 8:31). Mas Jesus também fala do Filho do Homem vindo em glória e exercendo autoridade para julgar (Mateus 16:27). Essas palavras lembram a visão de Daniel 7:13-14. Daniel vê alguém semelhante a um ser humano receber de Deus um reino duradouro e autoridade sobre povos de todas as nações.
A ligação fica especialmente clara quando Jesus fala diante do sumo sacerdote sobre o Filho do Homem sentado à direita do Poderoso e vindo com as nuvens do céu (Marcos 14:61-64). Ali, ele não está apenas dizendo que é humano. Ele está falando da posição de autoridade que ocupa e da glória com que virá.
Então a diferença não é simplesmente a presença da palavra “o”. É o que cada passagem está dizendo sobre a pessoa. Ezequiel é chamado de filho do homem enquanto recebe de Deus a missão de profetizar. Jesus é o Filho do Homem que se tornou humano, sofreu por nós e recebeu o reino anunciado por Daniel.