Uma expressão idiomática é uma maneira de falar que não deve ser entendida palavra por palavra. Quando alguém diz que está “com a corda no pescoço”, normalmente quer dizer que está sob pressão, não que há uma corda de verdade. A Bíblia também usa maneiras de falar assim, porque foi escrita em línguas faladas por pessoas comuns.
Veja alguns exemplos:
- “Conhecer” alguém pode significar ter relações sexuais. É nesse sentido que Gênesis 4:1 fala de Adão e Eva. Em Mateus 1:25, a expressão é usada ao dizer que José não teve relações com Maria antes do nascimento de Jesus. O versículo, por si só, não diz o que aconteceu depois.
- “Terra que mana leite e mel” descreve a terra prometida por Deus a Israel como um lugar bom pra viver, com recursos e capacidade de produzir alimento (Êxodo 3:8). Não quer dizer que leite e mel corriam literalmente pelo chão.
- “Derreter o coração” significa perder a coragem por causa do medo. Em Deuteronômio 20:8, a preocupação é que o medo de um soldado desanime também os outros.
- “Cingir os lombos” quer dizer preparar-se pra agir. Naquele tempo, prender a roupa comprida junto ao corpo facilitava o movimento. Por isso, quando Deus manda Jeremias fazer isso, está dizendo que ele deve se aprontar pra cumprir sua tarefa (Jeremias 1:17).
- “De Dã a Berseba” significa de uma ponta à outra de Israel. Dã ficava ao norte, e Berseba, ao sul. Era uma forma curta de falar do país inteiro (2 Samuel 3:10).
Há também imagens bíblicas que se tornaram expressões conhecidas em português. “Atirar a primeira pedra” vem do episódio em que Jesus confrontou os acusadores de uma mulher (João 8:7). Hoje, a expressão costuma ser usada pra questionar quem condena outra pessoa sem reconhecer as próprias faltas. “Bom samaritano” vem da história contada por Jesus sobre um homem que socorreu um desconhecido ferido (Lucas 10:30-35); passou a designar alguém que ajuda quem precisa.
Essas expressões mostram por que o contexto importa. Às vezes, o sentido fica claro assim que sabemos como as pessoas falavam ou o que estava acontecendo naquela passagem. A pergunta mais útil, então, não é apenas “o que essas palavras dizem ao pé da letra?”, mas “o que elas comunicavam às pessoas que as ouviram primeiro?”.