Para quem defende o criacionismo da Terra jovem, a Explosão Cambriana não seria o momento em que muitos tipos de animais surgiram pela primeira vez. Seria, principalmente, o momento em que animais que já existiam foram soterrados e preservados como fósseis durante o dilúvio descrito em Gênesis 6–8. Essa é a resposta dentro dessa interpretação. Mas é importante distinguir essa explicação do que os fósseis, por si só, mostram.
A chamada Explosão Cambriana é o aparecimento de uma grande variedade de animais no registro fóssil de rochas do período Cambriano. Aparecem ali muitos tipos de corpo que não eram conhecidos nas rochas mais antigas. O nome “explosão” pode dar a impressão de que tudo aconteceu de um dia pro outro. Não é isso que os estudos geológicos propõem: na escala de tempo usada pelos geólogos, esse aparecimento ocorreu ao longo de milhões de anos. Também existem fósseis anteriores ao Cambriano, embora a variedade de animais preservados aumente bastante nesse período.
A explicação da Terra jovem parte de outra maneira de entender essas camadas. Em vez de considerar que a maior parte das rochas fossilíferas se formou ao longo de centenas de milhões de anos, seus defensores atribuem grande parte delas ao dilúvio de Noé e aos acontecimentos que vieram depois. Assim, a concentração de fósseis de animais nas camadas cambrianas seria resultado de soterramento rápido, não de um primeiro surgimento da vida animal naquele momento.
Isso ajuda a entender como a Explosão Cambriana é interpretada nessa visão, mas deixa uma pergunta importante: por que certos animais aparecem de forma consistente em determinadas camadas, e não misturados ao acaso com todos os outros? Defensores da Terra jovem propõem respostas que envolvem, por exemplo, o lugar onde os animais viviam e a maneira como foram soterrados. Geólogos, porém, não consideram que o dilúvio e a separação de sedimentos pela água expliquem adequadamente o conjunto da ordem dos fósseis e das características das rochas. A idade e a sequência das camadas também são estudadas por vários métodos; não são estabelecidas apenas supondo uma ordem evolutiva.
E onde entra a Bíblia? Gênesis 1–2 ensina que Deus criou os seres vivos. Gênesis 6–8 relata o dilúvio. Nenhuma dessas passagens menciona o Cambriano, identifica camadas geológicas ou explica diretamente a distribuição dos fósseis. Relacionar a Explosão Cambriana ao dilúvio, portanto, é uma interpretação de como os acontecimentos bíblicos poderiam se ligar às rochas que observamos hoje, e não uma afirmação expressa no texto bíblico.
Em resumo, a Explosão Cambriana pode ser *encaixada* no criacionismo da Terra jovem como parte do registro fóssil produzido pelo dilúvio. Mas ela, sozinha, não demonstra que essa explicação está correta. A dúvida sobre as camadas e os fósseis merece ser examinada com cuidado, sem confundir o que Gênesis ensina claramente — Deus é o Criador — com uma explicação específica para cada formação rochosa.