Em Sofonias 1:5, “exército dos céus” não quer dizer um exército de anjos. A expressão se refere aos astros que vemos no céu, como o sol, a lua e as estrelas. Adorar o exército dos céus era tratar esses astros como deuses: curvar-se diante deles, oferecer-lhes incenso e esperar deles ajuda ou proteção.
Sofonias diz que algumas pessoas em Judá faziam isso nos terraços das casas. Não era apenas gente olhando pro céu ou admirando as estrelas. Eram atos de culto. Jeremias também menciona pessoas queimando incenso ao exército dos céus nos terraços de Jerusalém (Jeremias 19:13).
A diferença é importante porque a Bíblia não condena o interesse pelo céu. Ela ensina que o céu mostra a grandeza de Deus (Salmo 19:1). O problema era adorar aquilo que Deus criou no lugar do próprio Deus. Por isso, Moisés já tinha alertado o povo a não se curvar diante do sol, da lua e das estrelas (Deuteronômio 4:19).
Sofonias aponta ainda outra parte do problema: algumas daquelas pessoas prestavam culto ao Senhor, mas também juravam por outra divindade (Sofonias 1:5). Elas não tinham simplesmente deixado de falar no Deus de Israel; estavam tentando juntar a adoração a ele com a adoração a outros deuses. Mas Deus havia ordenado que seu povo não adorasse outros deuses além dele (Êxodo 20:3).
Isso tinha acontecido até sob a influência de reis de Judá. Manassés, por exemplo, prestou culto ao exército dos céus (2 Reis 21:3). Sofonias anunciou a condenação dessa prática durante o reinado de Josias, neto de Manassés (Sofonias 1:1).
Assim, o sentido da passagem é simples: os astros são criação de Deus, não deuses a quem devemos prestar culto. Hoje, observar o céu ou estudar astronomia não é a mesma coisa que fazer o que Sofonias condenou. Já buscar nas estrelas uma autoridade espiritual que pertence a Deus segue a direção errada que o profeta denunciou.