Até hoje, não foi encontrado um registro egípcio que confirme as dez pragas descritas em Êxodo. Existem textos antigos que lembram alguns detalhes do relato bíblico, mas nenhum deles identifica as dez pragas, menciona Moisés ou diz que o faraó deixou os israelitas sair do Egito.
O texto mais citado nessa conversa é o Papiro de Ipuwer. Nele, um escritor egípcio descreve um país em desordem: fala de sangue, de um rio associado a sangue, de sofrimento, de falta de alimentos e de escuridão. É fácil entender por que essas frases chamam a atenção de quem lê Êxodo. Elas lembram, por exemplo, a água transformada em sangue e a praga da escuridão (Êxodo 7:14-25; 10:21-23).
Mas semelhança não é a mesma coisa que confirmação. O papiro não apresenta esses acontecimentos como uma sequência de dez pragas, nem atribui os desastres ao Deus de Israel. Também não é claro quando o texto foi escrito originalmente ou se ele descreve um único acontecimento histórico. Por isso, seria exagero chamá-lo de um relato egípcio do Êxodo. O mais cuidadoso é dizer que ele contém paralelos interessantes, mas não prova que esteja falando das pragas.
Há outras descobertas que ajudam a entender o cenário daquela época. Sabemos, por fontes e achados arqueológicos, que povos de origem semita viveram no Egito. Isso torna plausível a presença de pessoas aparentadas culturalmente com os israelitas, mas não identifica, por si só, os hebreus de Moisés. A *Estela de Merneptá*, uma inscrição egípcia do fim do século 13 a.C., menciona um povo chamado Israel em Canaã. Ela é importante porque mostra que Israel já era conhecido fora da Bíblia naquela época; não diz, porém, como esse povo chegou ali nem confirma as pragas.
Então, a resposta depende do que queremos dizer com “evidência”. Há informações extrabíblicas que combinam com partes do contexto do Êxodo e um texto egípcio com algumas semelhanças com as pragas. Não há, até agora, uma confirmação extrabíblica direta das dez pragas. Também não seria correto concluir, só por essa falta de registro, que elas não aconteceram. O que podemos fazer é reconhecer com honestidade tanto o que o relato bíblico afirma — que Deus julgou o Egito e libertou Israel — quanto o que as fontes antigas encontradas até hoje conseguem, ou não, confirmar (Êxodo 7–12).