Se a pergunta é qual argumento parece mais convincente, o ajuste fino do universo é um bom ponto de partida. A ideia é simples: algumas características fundamentais do universo têm valores que permitem a existência de estrelas, elementos químicos e, por fim, vida. Se certos valores fossem diferentes, um universo capaz de abrigar vida talvez não fosse possível.
A gravidade ajuda a entender o argumento. Ela precisa ser forte o bastante pra contribuir pra formação de estrelas, mas as condições do universo também precisam permitir que essas estrelas existam por tempo suficiente e produzam os elementos de que a vida depende. O argumento do design pergunta: por que o universo tem condições desse tipo? Pra quem defende o design inteligente, isso é mais compreensível se houver uma inteligência por trás dele do que se tudo for apenas um fato sem explicação.
É importante dizer o que esse argumento não faz. Ele não é uma prova matemática de que Deus existe. Também não sabemos calcular com segurança a probabilidade de o universo ter esses valores, porque não conhecemos todos os universos possíveis nem sabemos se esses valores poderiam variar livremente. Há quem proponha outras explicações, como a existência de muitos universos ou a possibilidade de uma teoria física futura mostrar por que os valores são esses. Essas propostas também têm questões em aberto. Por isso, o ajuste fino é um argumento filosófico baseado em descobertas da física, não uma conclusão científica aceita por todos.
E o DNA? Ele também impressiona. Sua sequência participa das instruções que as células usam pra produzir proteínas, e por isso costuma ser comparado a um código. Mas a comparação, sozinha, não demonstra que uma mente escreveu o DNA. Os seres vivos se reproduzem, sofrem mutações e passam por seleção natural; qualquer argumento biológico a favor do design precisa levar esses processos a sério. Dizer apenas “é complexo demais pra ter surgido naturalmente” não basta, porque a dificuldade de explicar algo ainda não prova uma explicação específica.
Há ainda um argumento diferente: se o universo começou a existir, o que explica esse começo? Essa é uma pergunta importante, mas não deve ser confundida com o ajuste fino. A cosmologia estuda o universo primitivo, porém não resolveu definitivamente se o tempo teve um começo absoluto nem, por si só, identifica a causa última do universo.
Do ponto de vista bíblico, a fé cristã afirma mais do que esses argumentos conseguem demonstrar: Deus é o Criador de todas as coisas (Gênesis 1:1; João 1:3). A Bíblia também ensina que a criação dá testemunho de Deus (Salmo 19:1; Romanos 1:20). Ao mesmo tempo, ela não apresenta uma fórmula científica pra identificar design em uma molécula ou calcular a chance de existir um universo como o nosso.
Então, a resposta mais honesta é esta: o ajuste fino é um dos argumentos mais fortes e fáceis de entender a favor do design inteligente, porque parte de uma pergunta real sobre as condições que tornam a vida possível. Ele pode dar boas razões pra considerar a existência de um Criador, mas não substitui tudo o que a Bíblia diz sobre quem Deus é nem elimina, por si só, as outras explicações em debate.