A resposta mais direta é: a Bíblia afirma que Deus criou a Terra, mas não informa sua idade em anos. A ideia de uma Terra com poucos milhares de anos vem de uma maneira específica de entender Gênesis: considerar os dias da criação como seis dias comuns e usar as genealogias bíblicas pra calcular quanto tempo passou desde então. Muitos cristãos entendem esses textos assim. Outros, que também reconhecem a autoridade da Bíblia, entendem que Gênesis não foi escrito pra fornecer uma data para a formação do planeta.
Isso não torna a pergunta menos importante. Só precisamos separar duas coisas: o que o texto bíblico diz e o que concluímos ao interpretá-lo.
Em Gênesis 1, Deus cria os céus e a Terra e organiza sua criação ao longo de seis dias. A palavra “dia” pode ser entendida ali como um dia comum; essa é uma leitura antiga e respeitada entre cristãos. Mas há outras leituras sobre a natureza desses dias e sobre a maneira como o capítulo apresenta a obra de Deus. Além disso, as genealogias de Gênesis 5 e 11 acompanham a história de famílias e povos; elas não dizem expressamente que foram dadas como uma cronologia completa desde a criação do planeta. Por isso, chegar a uma idade exata da Terra exige passos de interpretação que o próprio texto não declara.
E quanto às evidências científicas? Existem pesquisadores que defendem uma Terra jovem e apresentam argumentos nessa direção. Mas é importante não dar a impressão de que esses argumentos já derrubaram a idade geralmente aceita pela ciência. As evidências examinadas por diferentes métodos apontam, em conjunto, para uma Terra com cerca de 4,54 bilhões de anos. Entre elas estão as datações de minerais terrestres antigos, de rochas da Lua e de meteoritos. Isso não significa que toda pergunta sobre a história da Terra esteja resolvida; significa que sua grande antiguidade não depende de uma única medição.
Alguns argumentos a favor da Terra jovem parecem fortes à primeira vista, mas dependem de supor que um processo ocorreu no passado do mesmo modo e no mesmo ritmo que observamos hoje. Por exemplo, a Lua está se afastando da Terra. Não dá, porém, pra usar sua velocidade atual e simplesmente calcular sua posição bilhões de anos atrás: a velocidade mudou com as condições dos oceanos e das marés. Da mesma forma, não dá pra calcular a idade de uma montanha olhando só para o desgaste que ela sofre hoje. O terreno também pode subir, e camadas de rocha podem ficar protegidas por muito tempo antes de serem expostas.
O antigo cálculo de Lord Kelvin sobre o resfriamento da Terra é outro exemplo. Foi uma tentativa científica importante, mas não levava em conta o calor produzido pelo decaimento radioativo, que ainda não era conhecido. A presença de hélio em cristais de zircão também é estudada por defensores da Terra jovem. Tirar dela uma idade para a Terra, porém, exige conhecer a história de temperatura desses cristais e a forma como o hélio se moveu neles. Esse dado, por si só, não demonstra que o decaimento radioativo ocorreu de maneira extremamente acelerada no passado.
Assim, é justo dizer que há uma interpretação bíblica que defende a Terra jovem e há argumentos científicos apresentados em favor dela. O que não seria justo é dizer que a Bíblia fornece uma idade explícita pra Terra ou que esses argumentos são hoje uma prova científica convincente de poucos milhares de anos.
O ponto que Gênesis deixa claro é outro: o mundo não existe por conta própria; Deus é seu Criador (Gênesis 1:1). Cristãos podem concordar plenamente nisso e ainda discordar sobre quanto tempo faz desde a criação. A idade da Terra merece ser estudada com cuidado, mas não deve ser tratada como se a Bíblia tivesse dado um número que ela não deu.