Os Evangelhos Sinóticos são Mateus, Marcos e Lucas, os três primeiros livros do Novo Testamento. Eles recebem esse nome porque podem ser lidos lado a lado: contam muitos dos mesmos acontecimentos da vida de Jesus, às vezes numa ordem parecida. “Sinótico” quer dizer, basicamente, “visto em conjunto”.
Um exemplo são os relatos de Jesus alimentando uma grande multidão. O acontecimento aparece nos três livros (Mateus 14:13-21; Marcos 6:30-44; Lucas 9:10-17). Lendo um depois do outro, você reconhece a mesma história e também percebe detalhes que cada autor escolheu contar.
Isso não significa que os três livros sejam cópias iguais. Mateus, por exemplo, mostra com frequência como a vida de Jesus se relaciona com as Escrituras do Antigo Testamento. Lucas diz que investigou os acontecimentos e os organizou pra que seu leitor pudesse conhecer com segurança aquilo que havia aprendido sobre Jesus (Lucas 1:1-4). Cada autor conta a história de um jeito próprio, sem deixar de falar da mesma pessoa.
E João? João também é um Evangelho, mas normalmente não é chamado de sinótico. Ele seleciona muitos episódios e conversas que não aparecem em Mateus, Marcos e Lucas, e organiza seu relato de outra maneira. Seu propósito, porém, é igualmente claro: ajudar as pessoas a crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus (João 20:30-31).
Às vezes você vai ouvir falar do “problema sinótico”. O nome parece indicar que há algo errado com os Evangelhos, mas não é isso. Trata-se da pergunta que estudiosos fazem ao comparar os três livros: como explicar que sejam tão parecidos em alguns trechos e diferentes em outros? Existem propostas sobre como os autores reuniram e usaram seus relatos, mas a Bíblia não descreve todo esse processo. Não precisamos resolvê-lo pra entender o essencial: Mateus, Marcos e Lucas nos permitem conhecer a vida e os ensinamentos de Jesus por meio de três relatos que têm muito em comum, cada um com seus próprios detalhes.