Os chamados evangelhos gnósticos são escritos antigos que falam de Jesus, mas não fazem parte dos quatro Evangelhos da Bíblia: Mateus, Marcos, Lucas e João. Alguns receberam nomes de pessoas conhecidas entre os primeiros cristãos, como Tomé, Filipe e Maria. Isso costuma causar uma dúvida: será que eles guardam ensinamentos de Jesus que ficaram de fora da Bíblia?
Pra entender a diferença, ajuda saber o que significa “gnóstico”. A palavra vem de um termo grego ligado a conhecimento. Entre os grupos hoje chamados de gnósticos, havia diferentes crenças, mas uma ideia frequente era a de que a pessoa precisava receber um conhecimento espiritual especial pra alcançar a salvação. Muitas dessas ideias também tratavam o mundo material — e, às vezes, o próprio corpo — como algo inferior ou ruim.
Isso é bem diferente da mensagem apresentada nos livros do Novo Testamento. Neles, Jesus não veio apenas transmitir segredos a um pequeno grupo. Ele viveu entre as pessoas, morreu e ressuscitou; e a salvação é anunciada como dádiva de Deus recebida pela fé, não como resultado de descobrir um ensinamento escondido. Os apóstolos também insistiram que Jesus veio de fato como ser humano (1 João 4:2-3; 1 Coríntios 15:3-8; Efésios 2:8-9).
Nem todo texto chamado hoje de “evangelho gnóstico” é igual. O Evangelho de Tomé, por exemplo, é principalmente uma coleção de falas atribuídas a Jesus, não uma narrativa de sua vida, morte e ressurreição. Além disso, há discussões entre estudiosos sobre a idade de algumas tradições presentes nesses escritos. Por isso, não seria correto dizer que todos foram produzidos da mesma forma ou pela mesma razão.
Ainda assim, esses textos não têm a mesma ligação com o testemunho apostólico que os Evangelhos do Novo Testamento. Eles são conhecidos por manuscritos posteriores, e seus títulos, por si só, não demonstram que tenham sido escritos pelas pessoas cujos nomes trazem. Em muitos casos, apresentam ensinamentos sobre Jesus e a salvação que entram em conflito com a mensagem transmitida pelos apóstolos.
A descoberta de manuscritos em Nag Hammadi, no Egito, em 1945, ajudou muito os pesquisadores a conhecer esses escritos e as crenças de grupos antigos. Mas chamá-los de “livros perdidos da Bíblia” dá uma impressão errada. A descoberta não mostrou que eles faziam parte do Novo Testamento e depois foram retirados.
Então, vale a pena conhecê-los? Sim, se o objetivo é entender a história das ideias religiosas dos primeiros séculos. Mas não há motivo pra tratá-los como Evangelhos que deveriam estar na Bíblia. Pra conhecer Jesus e a mensagem que seus primeiros seguidores anunciaram, a referência continua sendo o testemunho preservado no Novo Testamento.