O Evangelho dos Hebreus foi um escrito antigo sobre Jesus, conhecido hoje apenas por pequenos trechos citados por autores cristãos dos primeiros séculos. Nenhuma cópia completa chegou até nós. Por isso, não dá pra saber com segurança tudo o que ele dizia, quem o escreveu ou quando foi escrito.
O nome pode causar confusão: ele não é a Carta aos Hebreus, que faz parte do Novo Testamento. Também não é um quinto evangelho que tenha sido retirado da Bíblia. É uma obra diferente, que circulou entre alguns grupos cristãos, ao que tudo indica ligados ao ambiente judaico.
Um dos trechos preservados dá destaque a Tiago, irmão de Jesus, num relato após a ressurreição. Mas fragmentos assim são poucos. Eles não permitem reconstruir o livro inteiro nem afirmar que ele contava a vida de Jesus da mesma maneira que Mateus, Marcos, Lucas e João.
Há outra dificuldade: os autores antigos nem sempre usavam os nomes desses escritos de modo claro. Por isso, estudiosos discutem se certas citações atribuídas ao Evangelho dos Hebreus pertenciam a ele ou a obras chamadas *Evangelho dos Nazarenos* e *Evangelho dos Ebionitas*. Também existe a hipótese de alguma relação com uma forma antiga do Evangelho de Mateus, mas não temos provas suficientes pra identificar os dois como o mesmo livro.
E por que ele não está na Bíblia? O ponto principal é que não temos base pra tratá-lo como um dos evangelhos recebidos como Escritura pela igreja. Conhecemos apenas citações isoladas, e sua origem e seu conteúdo continuam incertos. Isso é diferente dos quatro evangelhos do Novo Testamento, que foram transmitidos como os relatos fundamentais sobre Jesus e formam, junto com os demais livros apostólicos, a base do testemunho cristão. Lucas, por exemplo, explica que investigou os acontecimentos e escreveu seu relato pra que seus leitores conhecessem a firmeza do que haviam aprendido (Lucas 1:1-4).
Assim, “perdido” quer dizer que o texto completo não foi preservado — não que faltou uma parte da Bíblia. O Evangelho dos Hebreus pode ajudar a estudar o que alguns cristãos antigos liam ou diziam sobre Jesus. Mas, com o que sabemos hoje, não é possível usá-lo pra substituir ou corrigir os evangelhos bíblicos.