O Evangelho de Tomé é uma antiga coleção de 114 frases atribuídas a Jesus. Apesar do nome, ele não conta a vida, a morte e a ressurreição de Jesus como fazem Mateus, Marcos, Lucas e João. É, principalmente, uma lista de ensinamentos. Algumas frases lembram palavras de Jesus registradas na Bíblia; outras são bem diferentes.
O exemplar mais conhecido foi encontrado em 1945, perto de Nag Hammadi, no Egito, junto com outros escritos antigos. Ele está em copta, uma língua usada no Egito naquela época, e foi copiado por volta do século IV. Também existem fragmentos mais antigos em grego. Isso mostra que o texto já circulava antes, mas não prova que tenha sido escrito pelo apóstolo Tomé. A data em que a obra foi composta é discutida; muitos estudiosos a situam no século II, embora alguns de seus ditos possam ter origens mais antigas.
Por que, então, ele não faz parte do Novo Testamento? O ponto principal não é o fato de conter frases que não aparecem nos outros Evangelhos. A própria Bíblia indica que Jesus fez e disse mais coisas do que aquelas que foram registradas por escrito (João 21:25). Também não basta dizer que o livro fala de ensinamentos “secretos”: Jesus explicou certas coisas em particular aos discípulos, e isso aparece nos Evangelhos bíblicos (Marcos 4:10-11).
A questão é outra: não há base suficiente pra tratar essa coleção como um testemunho vindo do apóstolo Tomé ou como um livro com a mesma autoridade dos escritos do Novo Testamento. O texto se apresenta sob o nome de Tomé, mas isso, por si só, não estabelece quem o escreveu. Além disso, foi nos quatro Evangelhos que os cristãos reconheceram os relatos sobre Jesus recebidos e preservados como Escritura.
Há também diferenças importantes no conteúdo. O Evangelho de Tomé dá grande destaque à descoberta do significado de seus ditos. Já os Evangelhos bíblicos apresentam a mensagem de Jesus contando o que ele fez: anunciou o Reino de Deus, chamou as pessoas ao arrependimento, morreu e ressuscitou. Esses acontecimentos são essenciais pra entender quem ele é e o que veio fazer (Marcos 1:14-15; Lucas 24:46-47; 1 Coríntios 15:3-4). O Evangelho de Tomé não os narra.
Às vezes, a obra é chamada de “evangelho gnóstico”, por causa da importância que dá ao conhecimento e de sua associação com outros textos encontrados em Nag Hammadi. Mas os estudiosos discutem até que ponto esse rótulo descreve bem o livro inteiro. É melhor não presumir que todas as suas frases ensinem a mesma coisa ou que qualquer semelhança com um Evangelho bíblico seja falsa.
Em resumo, o Evangelho de Tomé é útil pra conhecer ideias sobre Jesus que circulavam na antiguidade. Mas ele não é um quinto Evangelho da Bíblia nem deve ser tomado como uma fonte com a mesma autoridade de Mateus, Marcos, Lucas e João. Pra conhecer a mensagem de Jesus conforme o Novo Testamento, é nesses quatro Evangelhos que devemos começar.