Quando Paulo fala em “meu evangelho” (Romanos 2:16; 16:25), ele não está dizendo que inventou uma mensagem diferente da que Jesus e os outros apóstolos anunciavam. Ele está falando do evangelho que recebeu de Cristo e foi chamado a pregar. O assunto dessa mensagem não era Paulo: era Jesus.
Paulo resume o que pregava em 1 Coríntios 15:1-4: Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras. A morte e a ressurreição de Jesus são o centro do evangelho. Em suas cartas, Paulo explica também o que isso significa pra nós: não conseguimos nos reconciliar com Deus por nossos próprios méritos. A salvação é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Cristo, não uma recompensa pelas nossas obras (Romanos 3:23-24; Efésios 2:8-9).
Mas por que Paulo dizia “*meu* evangelho”? Porque era a mensagem confiada a ele, à qual dedicou a vida. O próprio Paulo a chama de “evangelho de Deus” e diz que ela trata do Filho de Deus e já havia sido prometida nas Escrituras (Romanos 1:1-4). Portanto, o “meu” fala da missão de Paulo, não da origem da mensagem.
Isso também ajuda a entender o lugar de Paulo entre os primeiros cristãos. Ele se tornou apóstolo depois dos demais, mas não passou a anunciar outro Salvador. Em Gálatas 2:7-9, Paulo conta que os líderes da igreja reconheceram seu trabalho entre os não judeus, assim como Pedro trabalhava principalmente entre os judeus. Os grupos a quem pregavam eram diferentes; a mensagem sobre Cristo não era.
É verdade que Paulo explica com bastante detalhe assuntos como fé, graça e a relação dos cristãos com a lei de Moisés. Ele faz isso especialmente porque algumas pessoas ensinavam que, pra serem aceitos por Deus, os não judeus precisavam seguir práticas da lei judaica. Paulo se opôs a essa exigência: acrescentar tais condições à fé em Cristo mudaria o evangelho da graça que ele havia anunciado (Gálatas 1:6-9; 2:16).
Assim, o evangelho de Paulo é a boa notícia de Jesus Cristo, apresentada por um homem chamado pra levá-la a outras pessoas. Paulo não queria que ninguém depositasse a fé nele. Como ele mesmo lembrou à igreja de Corinto, não foi Paulo quem morreu por ela (1 Coríntios 1:13). Quem morreu e ressuscitou foi Cristo.