O nome pode dar a impressão de que se trata apenas de anunciar que Deus acolhe pessoas de todos os povos e histórias. A Bíblia realmente ensina isso: ninguém está fora do alcance do convite de Jesus. Mas “evangelho de inclusão” também é o nome dado a um ensino segundo o qual, por causa da morte e da ressurreição de Cristo, as pessoas já estão incluídas na salvação mesmo sem crer nele ou se arrepender. É esse ensino que precisa ser examinado.
Alguns de seus defensores chegam perto de dizer que todos serão salvos. Outros admitem uma possível exceção para quem rejeitar a graça de Deus de modo consciente e definitivo. Por isso, não é preciso atribuir a todos eles exatamente a mesma ideia. O ponto em comum é afirmar que a fé em Cristo e o arrependimento não são necessários para receber a salvação.
A dificuldade é que o Novo Testamento apresenta as duas coisas juntas: a salvação é uma dádiva de Deus, recebida pela fé. Paulo diz que não somos salvos por obras, como se pudéssemos merecer a vida eterna (Efésios 2:8-9). E Jesus anuncia o amor de Deus pelo mundo, mas também diz que a vida eterna é dada a quem crê nele (João 3:16). Dizer que precisamos crer não significa transformar a fé numa obra que compra a salvação. Significa confiar em Jesus, em vez de confiar em nós mesmos.
O mesmo vale pro arrependimento. Ele não é uma exigência de que a pessoa se torne perfeita antes de se aproximar de Deus. É reconhecer o próprio pecado e voltar-se pra ele. Por isso, quando os apóstolos anunciaram Jesus, chamaram as pessoas ao arrependimento, não apenas à certeza de que já estavam salvas sem saber (Atos 2:37-38; 3:19).
Jesus também não ensinou que o destino final será igual para todos. Ele falou de pessoas que entram no caminho da vida e de outras que não entram (Mateus 7:13-14). Ao falar do juízo, descreveu uma separação final, e não a salvação automática de toda a humanidade (Mateus 25:31-46). Essas passagens impedem que a esperança no amor de Deus seja apresentada como uma garantia bíblica de que ninguém ficará separado dele.
Isso não quer dizer que podemos decidir o destino eterno de uma pessoa específica, especialmente de alguém que nunca ouviu uma explicação clara sobre Jesus. Cristãos que levam a Bíblia a sério discutem como Deus julgará essas pessoas. O que podemos afirmar com segurança é que Deus julga com justiça, que a salvação vem por meio de Cristo e que o chamado anunciado no Novo Testamento é crer nele e se arrepender (João 14:6; Atos 17:30-31).
Então, a resposta é esta: o evangelho de Jesus é aberto a todos, mas não ensina que todos já estão salvos, independentemente de sua resposta a ele. A boa notícia não é que o pecado deixou de importar. É que Deus, por sua graça, oferece perdão e vida por meio de Jesus a quem se volta pra ele com fé.