Paulo está falando dos sinais que os maus-tratos sofridos por anunciar Jesus deixaram no seu corpo. Não eram as feridas da crucificação de Cristo aparecendo nele. Eram marcas das perseguições que enfrentou como servo de Jesus.
O contexto ajuda a entender por que ele menciona isso. No fim da carta aos Gálatas, Paulo confronta pessoas que queriam obrigar os cristãos não judeus a ser circuncidados. Elas tratavam esse sinal no corpo como algo necessário pra pertencer ao povo de Deus. Paulo responde que, em Cristo, o que importa não é ser circuncidado ou deixar de ser, mas ser uma nova pessoa pela ação de Deus (Gálatas 6:12-15).
Ele também diz que aqueles homens queriam evitar a perseguição causada pela mensagem da cruz. Paulo, ao contrário, não escondeu sua ligação com Jesus pra escapar do sofrimento. Por isso, quando escreve que traz no corpo as marcas de Jesus, está dizendo, em outras palavras: “Vocês podem ver no que eu sofri a quem tenho servido” (Gálatas 6:12, 17).
Sabemos que esse sofrimento não era apenas uma maneira de falar. Paulo conta que foi açoitado, espancado com varas e apedrejado por causa do seu trabalho de anunciar o evangelho (2 Coríntios 11:23-25). Essas experiências ajudam a entender que tipo de marcas ele podia ter no corpo. A carta aos Gálatas, porém, não descreve cada marca em particular.
Isso não significa que as feridas de Paulo tivessem o mesmo papel que as de Jesus. Só Cristo morreu pelos nossos pecados. Paulo sofreu porque anunciava aquele que morreu e ressuscitou. Suas marcas não salvavam ninguém, nem eram uma exigência pra todo cristão. Elas mostravam que ele continuava fiel a Jesus mesmo quando isso lhe custava caro.
Assim, Gálatas 6:17 fecha a carta com um contraste: enquanto alguns insistiam num sinal externo e procuravam evitar a perseguição, Paulo carregava no próprio corpo as consequências de anunciar a cruz de Cristo.