Jesus não estava dizendo que lhe faltava poder. Ele estava dizendo que nunca age separado do Pai, como se tivesse planos próprios ou pudesse fazer algo contrário à vontade dele. Em João 5:30, Jesus fala especialmente do seu julgamento: ele julga com justiça porque faz a vontade do Pai que o enviou.
O contexto ajuda a entender isso. Pouco antes, Jesus havia curado um homem num sábado, e alguns líderes judeus o criticaram por isso. Ao responder, Jesus falou da sua relação com Deus como Pai. Seus ouvintes entenderam que ele estava fazendo uma afirmação muito grande sobre si mesmo (João 5:16-18).
Então Jesus explicou essa relação. Ele disse que faz o que vê o Pai fazer e que o Pai lhe confiou a tarefa de julgar. Também afirmou que o Filho dá vida e que chegará o dia em que os mortos ouvirão sua voz (João 5:19-29). Portanto, quando Jesus diz que não pode fazer nada “por si mesmo”, ele não está negando sua autoridade. Ele está mostrando que sua autoridade não é exercida à parte do Pai.
Isso também explica por que seu julgamento é justo. Nós podemos julgar mal porque não sabemos tudo, porque nos enganamos ou porque deixamos nossos interesses influenciarem nossas decisões. Jesus não julga desse jeito. Ele não procura impor uma vontade contrária à do Pai; seu julgamento está em perfeita harmonia com a vontade de Deus (João 5:30).
Assim, o versículo não ensina que Jesus é menos que Deus. O próprio Evangelho de João apresenta o Filho como aquele que estava com Deus desde o princípio e se fez homem (João 1:1, 14). O ponto de Jesus aqui é outro: o Filho não age independentemente do Pai. Por isso, podemos confiar tanto no que ele faz quanto no que ele diz. Ao olhar pra Jesus, não estamos vendo alguém que pode contrariar a vontade de Deus, mas aquele que a cumpre perfeitamente.