Paulo quis dizer que, por anunciar Jesus, enfrentava perigos que podiam lhe custar a vida todos os dias. Ele não estava dizendo que morria literalmente, nem falando principalmente sobre vencer o pecado. O assunto de 1 Coríntios 15:31 é o risco real que ele corria por causa da sua missão.
No capítulo 15, Paulo está explicando por que a ressurreição é tão importante. Algumas pessoas da igreja de Corinto diziam que os mortos não ressuscitam. Paulo mostra que, se isso fosse verdade, a própria esperança cristã não teria fundamento. Então ele aponta pra vida que levava: por que enfrentaria tantos perigos pra anunciar Cristo, se a morte fosse o fim de tudo? É nesse raciocínio que ele diz que morre todos os dias (1 Coríntios 15:29-32).
Não era um perigo imaginário. Em outra carta, Paulo conta que sofreu agressões, naufrágios e ameaças durante suas viagens (2 Coríntios 11:23-27). Em Listra, foi apedrejado e deixado fora da cidade porque pensaram que estivesse morto (Atos 14:19). Ele continuava pregando apesar de saber o que poderia acontecer.
Isso não significa que Paulo desprezava a própria vida. Significa que considerava a mensagem de Jesus mais importante do que sua segurança. Ele podia enfrentar a possibilidade de morrer porque cria que Cristo havia ressuscitado e que os que pertencem a Cristo também ressuscitarão (1 Coríntios 15:20-23).
Jesus também ensinou seus seguidores a tomar a cruz diariamente (Lucas 9:23), e Paulo escreveu sobre deixar de viver dominado pelo pecado (Romanos 6:11). Esses ensinamentos se relacionam com a disposição de Paulo de seguir a Cristo, mas não são o sentido principal de “morro todos os dias” nessa passagem. Ali, ele está dizendo: “A cada dia, corro o risco de morrer por anunciar Jesus.” A ressurreição era a esperança que fazia esse risco valer a pena.