É o nome dado aos ensinamentos morais que o judaísmo e o cristianismo compartilham por terem raízes nas Escrituras de Israel, que os cristãos chamam de Antigo Testamento. Não é uma lista oficial de regras aceita igualmente pelas duas religiões. É uma maneira de falar de valores que aparecem nas duas tradições, como a importância da vida humana, da justiça, da honestidade e do cuidado com quem precisa de ajuda.
A Bíblia dá uma razão profunda pra tratar as pessoas com respeito: ela ensina que Deus criou os seres humanos à sua imagem (Gênesis 1:26-27). Por isso, o valor de uma pessoa não depende de sua riqueza, força ou posição social. A proibição do assassinato nos Dez Mandamentos, por exemplo, faz parte desse cuidado com a vida (Êxodo 20:13).
A justiça também ocupa um lugar importante nas Escrituras. A lei de Israel proibia favorecer alguém num julgamento por ser rico ou pobre e mandava tratar com justiça o estrangeiro, a viúva e o órfão — pessoas que facilmente ficavam sem proteção (Levítico 19:15, 33-34; Deuteronômio 24:17). Assim, fazer o que é certo não dizia respeito apenas às escolhas particulares de cada pessoa, mas também à maneira como ela tratava os outros.
Jesus, que era judeu, ensinou a partir dessas Escrituras. Ele disse que os dois grandes mandamentos são amar a Deus e amar o próximo (Mateus 22:37-40). Também ensinou seus discípulos a tratar as pessoas como gostariam de ser tratados (Mateus 7:12). Isso ajuda a entender por que se fala numa herança moral compartilhada: o cristianismo não começou sem ligação com o judaísmo.
Mas há uma diferença importante. Judeus e cristãos não entendem todas essas Escrituras da mesma maneira. Os cristãos creem que Jesus é o Messias e leem o Antigo Testamento à luz do que ele ensinou e fez. Por isso, dizer que existe uma “ética judaico-cristã” não significa que judaísmo e cristianismo sejam a mesma fé, nem que concordem sobre cada regra da lei de Moisés.
Em resumo, a expressão é útil pra falar de valores morais que têm raízes bíblicas comuns. O cuidado é não usá-la como se resumisse tudo o que judeus e cristãos creem — ou como se eles concordassem em todos os assuntos.