Se Jesus era inocente, por que terminou condenado como criminoso? Essa é uma pergunta importante, especialmente pra quem quer entender por que os cristãos o chamam de Salvador.
Os Evangelhos mostram duas coisas ao mesmo tempo: pessoas decidiram prender e matar Jesus, mas a morte dele não pegou Jesus de surpresa. Ele sabia que iria sofrer e explicou aos discípulos que sua vida seria entregue em favor de outros (Marcos 10:45; Lucas 22:19-20). Pra entender o que ele queria dizer, vale começar pela Páscoa que celebrou pouco antes de morrer.
A Páscoa lembrava a libertação dos israelitas da escravidão no Egito. Na primeira celebração, cada família sacrificou um cordeiro e marcou a entrada da casa com o sangue dele. Naquela noite, Deus poupou os filhos mais velhos dessas famílias e, depois, tirou o povo do Egito (Êxodo 12). O cordeiro da Páscoa estava ligado, portanto, à proteção e à libertação. O Novo Testamento usa essa história pra ajudar a explicar a morte de Jesus. João Batista o chamou de Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo (João 1:29).
Na última refeição com os discípulos, Jesus deu um significado especial ao pão e ao cálice: falou do seu corpo entregue por eles e do seu sangue derramado, ligado a uma nova aliança (Lucas 22:19-20). Uma aliança é um compromisso que Deus estabelece com seu povo. Jesus estava dizendo que sua morte abriria o caminho pra uma nova relação com Deus.
Isso não significa que Jesus desejasse o sofrimento. Pouco depois, ao orar, ele expressou ao Pai sua angústia diante do que estava por vir. Ainda assim, escolheu fazer a vontade dele (Lucas 22:39-46). Quando Judas o entregou e um dos discípulos tentou reagir com uma espada, Jesus impediu a violência e chegou a curar o homem ferido (Lucas 22:47-53).
As autoridades religiosas acusaram Jesus, e Pilatos, o governador romano, acabou ordenando sua crucificação. Lucas deixa claro que Pilatos não encontrou nele um crime que merecesse a morte. Mesmo assim, cedeu à pressão e libertou Barrabás, que estava preso por participação numa revolta e por homicídio (Lucas 23:13-25). Jesus foi executado entre dois criminosos. Um deles reconheceu que os dois estavam recebendo a punição por seus atos, enquanto Jesus não tinha feito nada de errado. Então pediu que Jesus se lembrasse dele. Jesus lhe prometeu que estaria com ele no paraíso (Lucas 23:32-43).
Como Jesus podia fazer essa promessa a um homem condenado? A resposta cristã não é que os erros daquele homem não importavam. É que ele se voltou pra Jesus, e Jesus veio salvar pecadores. Segundo o Novo Testamento, todos nós precisamos de perdão, e não conseguimos apagar nossos pecados por esforço próprio. Jesus, que não tinha pecado, morreu em nosso favor pra nos reconciliar com Deus (Romanos 3:23-26; 2 Coríntios 5:21; 1 Pedro 2:24).
Por isso, quando os cristãos dizem que Jesus é o Salvador, não estão falando de alguém que veio apenas ensinar a fazer o bem ou libertar seu povo de um governo opressor. Estão falando daquele que deu a própria vida pra nos libertar do pecado e nos dar vida com Deus. E a história não termina na cruz: os Evangelhos anunciam que Deus ressuscitou Jesus, confirmando que a morte não foi o fim de sua missão (Lucas 24:1-7; Atos 2:23-24).