Estigmas são feridas ou marcas no corpo de uma pessoa que se parecem com as feridas sofridas por Jesus. Normalmente, o termo se refere a marcas nas mãos, nos pés e no lado do corpo. Os Evangelhos contam que Jesus foi pregado na cruz e que, depois de sua morte, um soldado perfurou seu lado com uma lança (João 20:25; 19:34). Alguns relatos de estigmas também incluem marcas que lembram a coroa de espinhos ou os açoites.
Ao longo da história, pessoas disseram ter recebido essas marcas de forma milagrosa. A Bíblia, porém, não ensina que os seguidores de Jesus receberão as feridas da crucificação, nem orienta alguém a procurá-las. Por isso, uma marca no corpo, por si só, não prova que aconteceu um milagre ou que a pessoa tem uma relação especial com Deus. Cada relato precisaria ser examinado com cuidado.
A passagem que mais costuma gerar dúvida é Gálatas 6:17. Ali, Paulo diz que trazia no corpo as “marcas de Jesus”. Pelo contexto, ele está falando das marcas deixadas pelo sofrimento que enfrentou por seguir e anunciar Cristo, não dizendo que apareceram nele as mesmas feridas da crucificação. Em 2 Coríntios 11:23-27, Paulo conta que sofreu açoites, apedrejamento e outras dificuldades por causa do seu trabalho.
Isso não significa que um cristão nunca vá sofrer. Jesus e os apóstolos ensinaram que seguir a Cristo pode trazer oposição. Mas há uma diferença importante: sofrer por ser fiel a Jesus não é sofrer para pagar pecados. Segundo Isaías 53:5 e 1 Pedro 2:24, foi Jesus quem sofreu pelos nossos pecados. Ninguém precisa repetir suas feridas para completar o que ele fez.
Então, os ferimentos de Jesus são bíblicos; a ideia de que outras pessoas devam recebê-los como sinal de Deus, não. A Bíblia não nos dá motivo para afirmar que todo relato de estigmas seja verdadeiro, nem para decidir sem exame o que causou cada caso. Ela nos orienta a colocar a confiança em Cristo e no que ele fez por nós, não em marcas que possam aparecer no corpo de alguém.