Significa que havia algo extraordinário na aparência de Estêvão enquanto ele enfrentava seus acusadores. Atos 6:15 não diz que ele se tornou um anjo. Também não explica exatamente o que as pessoas viram: pode ter sido um brilho em seu rosto, uma expressão de serenidade, ou algo que o texto não descreve em detalhes. O que fica claro é que todos os membros do conselho perceberam aquela aparência incomum.
O momento torna isso ainda mais significativo. Estêvão tinha sido acusado de falar contra Moisés e contra Deus. Seus adversários não conseguiram responder à sabedoria com que ele falava e, por isso, apresentaram falsas testemunhas contra ele (Atos 6:10-14). Diante do conselho que iria julgá-lo, o rosto de Estêvão chamava a atenção antes mesmo de ele começar sua defesa.
A comparação com um anjo combina com o que Atos conta sobre ele: Estêvão era cheio do Espírito Santo e falava com uma sabedoria que seus opositores não conseguiam enfrentar (Atos 6:5, 10). Mais tarde, pouco antes de morrer, ele viu a glória de Deus e Jesus à direita de Deus (Atos 7:55). Lucas, portanto, apresenta Estêvão como alguém a quem Deus sustentava naquele momento difícil.
Também é possível que a cena lembrasse aos presentes o rosto de Moisés, que brilhou depois de ele falar com Deus (Êxodo 34:29-35). A ligação é especialmente marcante porque Estêvão estava sendo acusado de falar contra Moisés. Mas Atos não diz expressamente que seu rosto brilhou como o de Moisés; essa é uma possibilidade, não um detalhe que podemos afirmar com certeza.
Em resumo, o “rosto de um anjo” mostra que havia algo notável em Estêvão diante de seus acusadores, algo que combinava com sua vida cheia do Espírito Santo. A Bíblia não nos permite descrever sua aparência com precisão, mas nos ajuda a entender o contraste da cena: ele estava sendo tratado como inimigo de Deus, enquanto o relato o apresenta como uma testemunha fiel de Deus.