Não dá pra afirmar isso com base na Bíblia. Os Estados Unidos não são mencionados pelo nome no Apocalipse. Algumas características do país podem lembrar a Babilônia descrita ali, mas semelhanças não bastam pra identificar com certeza quem ela é.
Nos capítulos 17 e 18, João vê uma figura chamada Babilônia. Ela é retratada como uma mulher que atrai os governantes, vive em luxo, tem grande influência sobre os povos e está envolvida na morte de pessoas fiéis a Jesus. Depois, o texto descreve sua queda. Reis e comerciantes lamentam a destruição dela porque lucravam com sua riqueza e seu comércio (Apocalipse 17:2, 6, 18; 18:9-19). A imagem junta poder, idolatria, perseguição e riqueza usada de maneira corrupta.
É compreensível que alguém pense nos Estados Unidos ao ler essa descrição. O país exerce grande influência econômica e cultural, e sua queda teria consequências em muitos lugares. Mas o mesmo texto traz detalhes que não se encaixam tão facilmente nessa identificação. João fala de sete montes e de uma sequência de reis (Apocalipse 17:9-10). E a acusação de que Babilônia está embriagada com o sangue dos seguidores de Jesus é séria demais pra ser aplicada a um país só porque há pecados na sua sociedade (Apocalipse 17:6).
Também é importante lembrar que as imagens do Apocalipse foram dadas a cristãos do primeiro século. Por isso, muitos intérpretes relacionam Babilônia, em primeiro lugar, a Roma, que exercia poder sobre outros povos e perseguia cristãos naquela época. Outros entendem que ela também representa um tipo de poder que volta a aparecer ao longo da história: governos e sociedades que se exaltam, seduzem pela riqueza e se opõem a Deus. Há ainda quem espere o surgimento de uma cidade ou de um sistema específico no futuro. Essas leituras diferem, mas nenhuma passagem diz claramente: “Babilônia é os Estados Unidos”.
Então, a resposta mais honesta é esta: é possível comparar certos aspectos dos Estados Unidos com a Babilônia do Apocalipse; não é possível provar que sejam a mesma coisa. O aviso do texto continua importante, seja qual for a identificação: nenhum povo deve confiar na própria riqueza e no próprio poder como se não tivesse de prestar contas a Deus. E os seguidores de Jesus não devem se deixar levar pelo pecado só porque ele se tornou comum ao seu redor (Apocalipse 18:4).