Jesus quis dizer que aquelas pessoas falavam de Deus com respeito, mas não levavam a sério o que ele dizia. A boca expressava devoção; as escolhas mostravam outra coisa. Por isso Jesus completou a frase dizendo que o coração delas estava longe de Deus (Mateus 15:8).
A conversa começou quando alguns líderes religiosos criticaram os discípulos de Jesus por não seguirem uma tradição de lavar as mãos antes de comer. A questão ali não era a higiene, mas um costume religioso. Jesus respondeu mostrando uma contradição mais grave: aqueles líderes cobravam a tradição, mas aceitavam uma prática que permitia deixar de ajudar os próprios pais. Assim, davam mais importância a uma regra humana do que ao mandamento de Deus de honrar pai e mãe (Mateus 15:1-6).
Foi nesse contexto que Jesus retomou as palavras de Isaías. Séculos antes, o profeta já havia denunciado pessoas que honravam a Deus em suas palavras, mas seguiam ensinamentos humanos como se fossem a vontade dele (Isaías 29:13; Mateus 15:7-9). Jesus estava dizendo que o mesmo problema aparecia na atitude daqueles líderes.
Isso não significa que orar, cantar ou participar de práticas religiosas seja errado. O problema é usar essas coisas como aparência de fidelidade enquanto se ignora o que Deus manda. Também não significa que uma pessoa só possa adorar a Deus se nunca falhar. Quem reconhece o próprio erro e busca obedecer a Deus não é o mesmo que alguém que usa a religião pra encobrir uma vida que não quer mudar.
A fala de Jesus nos convida a perguntar se nossas palavras sobre Deus combinam com a maneira como tratamos as pessoas e com as decisões que tomamos. Honrar a Deus com os lábios é bom; honrá-lo também com o coração é o que dá verdade a essas palavras (Mateus 22:37).