Paulo não apresenta em Efésios 6:11 uma lista de ciladas. Ele alerta que o diabo age de modo enganoso e chama os cristãos a permanecerem firmes com a ajuda de Deus. O restante da Bíblia mostra algumas formas desse engano.
Uma delas é distorcer a verdade. Em Gênesis 3:1-5, a serpente põe em dúvida o que Deus havia dito e apresenta a desobediência como se fosse uma boa escolha. Jesus também chama o diabo de mentiroso em João 8:44. Por isso, uma ideia não é confiável só porque parece atraente ou até bem-intencionada; ela precisa ser comparada com o que Deus diz.
Outra cilada é levar a pessoa a pecar. Satanás tentou Jesus, inclusive usando palavras das Escrituras fora do seu sentido, mas Jesus respondeu com fidelidade à vontade de Deus (Mateus 4:1-11). Isso não significa que toda tentação venha diretamente do diabo. Tiago 1:14 também fala dos nossos próprios desejos. O importante é não tratar a tentação como algo inofensivo nem achar que precisamos enfrentá-la sozinhos.
A Bíblia ainda apresenta Satanás como acusador (Apocalipse 12:10; Zacarias 3:1). Há uma diferença entre reconhecer um pecado e ser levado a pensar que não existe mais perdão. Quando pecamos, a resposta não é fingir que nada aconteceu, mas confessar o pecado e confiar em Cristo, que intercede pelos que pertencem a ele (1 João 1:9; 2:1).
Paulo dá também um exemplo bem concreto de como o diabo pode tirar proveito de uma situação: o ressentimento entre irmãos. Em 2 Coríntios 2:10-11, ele relaciona o perdão à necessidade de não dar vantagem a Satanás. Uma ofensa não resolvida pode se tornar uma divisão duradoura.
É por isso que Paulo fala da “armadura de Deus” em Efésios 6:10-18. Sua orientação não é procurar um demônio por trás de cada dificuldade, nem confiar na própria força. É permanecer firme no Senhor: viver na verdade e na justiça, confiar na salvação que ele dá, apegar-se à sua Palavra e orar em todo tempo. As ciladas são reais, mas Paulo aponta principalmente para os recursos que Deus dá pra resistir a elas.