Não no sentido de apagar as lembranças. Quando Paulo diz que deixa pra trás o que passou e segue em direção ao que está diante dele, ele não está ensinando que precisamos esquecer tudo o que vivemos. Ele está dizendo que o passado não deve impedir nossa caminhada com Cristo (Filipenses 3:13-14).
O próprio contexto ajuda a entender isso. Pouco antes, Paulo fala de sua história e de suas conquistas religiosas. Ele se lembrava delas, mas já não confiava nelas pra ser aceito por Deus. Seu maior desejo agora era conhecer Cristo e continuar seguindo-o (Filipenses 3:4-11). Portanto, “esquecer”, ali, não é perder a memória. É parar de tratar o que ficou pra trás como aquilo que define nosso valor ou determina até onde podemos ir.
Isso vale tanto pras coisas boas quanto pras ruins. Uma conquista antiga não deve nos fazer pensar que já chegamos aonde precisávamos chegar. E um pecado do qual nos arrependemos não precisa continuar nos condenando: em Cristo, há perdão, não condenação (Romanos 8:1). Podemos reconhecer o que fizemos, aprender com isso e seguir adiante pela graça de Deus.
Ao mesmo tempo, a Bíblia também nos ensina a lembrar. O povo de Israel devia recordar o que Deus havia feito por ele e aprender com seus próprios erros (Deuteronômio 9:7; Salmo 77:11). Lembrar pode nos tornar gratos, humildes e mais atentos às nossas escolhas. Paulo, por exemplo, não apagou de sua história o fato de ter perseguido a igreja; ao falar disso, destacou a misericórdia que recebeu (1 Timóteo 1:12-16).
Se o passado inclui uma perda ou uma experiência dolorosa, seguir em frente também não significa fingir que nada aconteceu ou se cobrar pra esquecer. Algumas lembranças continuam doendo, e pode ser necessário tempo e ajuda pra lidar com elas.
Então, a resposta é: a Bíblia não manda apagar o passado; ela nos ensina a não ficar presos a ele. Podemos lembrar do que aconteceu sem deixar que nossas vitórias, erros ou dores tenham a palavra final sobre quem somos e sobre como vamos viver hoje.