Sim. Paulo orienta a esposa a se sujeitar ao próprio marido em Efésios 5:22–24. Mas é importante entender o que ele está dizendo — e o que não está. Esse texto não ensina que a mulher vale menos, que deve obedecer a todos os homens ou que o marido pode controlar sua vida.
Paulo está falando da relação entre marido e esposa. Ele pede que a esposa respeite o marido e, nos versículos seguintes, dá ao marido uma responsabilidade exigente: amar a esposa como Cristo amou a igreja, cuidando dela e se entregando por ela (Efésios 5:25–29). Não é uma autorização pra ele exigir tudo o que quiser. É um chamado pra agir com amor, mesmo quando isso lhe custa algo.
A Bíblia também não apresenta a esposa como alguém sem capacidade ou sem voz. Em Gênesis 2:18, ela é apresentada como a companheira de que o homem precisava. E, em Efésios 5:21, antes de falar especificamente do casamento, Paulo orienta os cristãos a tratar uns aos outros com humildade e consideração. O marido, portanto, não pode usar a palavra “submissão” pra deixar de ouvir a esposa ou tratar a opinião dela como se não importasse.
Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia entendem de maneiras diferentes como esses textos devem funcionar no casamento. Alguns entendem que Deus deu ao marido uma responsabilidade de liderança e chamou a esposa a apoiá-lo e respeitá-lo nessa função. Outros entendem que Paulo está ensinando principalmente a disposição de ambos de servir um ao outro, sem estabelecer uma autoridade permanente do marido sobre a esposa. As duas leituras precisam lidar com o que Paulo diz à esposa, com a ordem dada ao marido e com o contexto da passagem. A diferença está, sobretudo, em como entendem a liderança mencionada no texto e sua aplicação ao casamento hoje.
Há, porém, um limite que não depende dessa discussão: submissão não é obediência sem limites. A orientação à esposa aparece dentro de sua vida com Cristo; ela não coloca o marido no lugar de Deus. Se ele exigir que ela peque, encubra um crime ou aceite violência e humilhação, ela não tem o dever de atender. Quando uma autoridade humana exige algo contrário à vontade de Deus, a fidelidade a Deus vem primeiro (Atos 5:29). Sofrer abuso não é uma obrigação espiritual. Procurar proteção, apoio e, quando necessário, as autoridades é uma atitude legítima.
Mesmo quando o marido não compartilha da fé cristã, a orientação bíblica não vira uma exigência de suportar maus-tratos. Pedro aconselha esposas nessa situação a viver de modo respeitoso e fiel a Deus (1 Pedro 3:1–2); ele não dá ao marido permissão pra abusar delas.
Então, a resposta é sim: Efésios orienta a esposa a se sujeitar ao marido. Pra entender essa orientação, porém, é preciso ler a passagem inteira. Ela fala também de um marido chamado a amar e cuidar, e de um casamento em que nenhum dos dois deve agir com egoísmo. Seja qual for a interpretação adotada sobre a liderança do marido, usar esse texto pra diminuir, silenciar ou ferir a esposa é contrariar o cuidado que Paulo exige dele.