A expressão aparece em Lucas 13, na história de uma mulher que vivia encurvada havia dezoito anos e não conseguia se endireitar. Jesus a curou e, ao explicar o que tinha acontecido, disse que Satanás a mantinha presa naquela condição (Lucas 13:10-16). Nesse caso, portanto, a enfermidade tinha uma ligação com a ação do mal espiritual.
Isso não quer dizer que exista uma categoria de demônios chamada “espíritos de enfermidade”, cada um responsável por uma doença. Lucas descreve o que acontecia com aquela mulher, mas não apresenta uma lista de espíritos com funções diferentes. Também não diz que toda pessoa doente está sob a ação de um demônio.
Essa diferença é importante. Os Evangelhos mostram Jesus expulsando espíritos malignos em algumas ocasiões e curando pessoas em outras, sem dizer que um espírito causou a doença. Não seria correto olhar pra alguém com dor, depressão ou qualquer outro problema de saúde e concluir, só por isso, que há um demônio agindo. A pessoa precisa de cuidado, não de uma acusação sem fundamento.
E há algo mais importante na história do que descobrir a causa da enfermidade: a maneira como Jesus tratou aquela mulher. Ele a viu, chamou-a e a libertou de uma condição que ela suportava havia muitos anos. Quando criticaram a cura por ter acontecido no sábado, Jesus mostrou que aquele dia não era motivo pra negar ajuda a quem sofria (Lucas 13:14-16).
Se você ou alguém próximo está doente, pode levar essa necessidade a Deus em oração, como Tiago 5:14-16 orienta. Também é certo procurar avaliação e tratamento médico. Lucas 13 nos ensina que uma enfermidade *pode* ter ligação com uma ação espiritual; não nos dá permissão pra presumir que essa seja a causa de todas elas.