Na Bíblia, o escudeiro era alguém que acompanhava um guerreiro e carregava suas armas. Era uma função ligada às batalhas, não à organização da igreja. Jônatas, por exemplo, foi acompanhado por seu escudeiro numa ação contra os filisteus (1 Samuel 14:6-14). Saul também teve um escudeiro (1 Samuel 16:21; 31:4-5).
Hoje, algumas igrejas usam esse nome pra alguém que acompanha um pastor ou outro líder, leva sua Bíblia, ajuda com deslocamentos ou cuida de tarefas práticas. Não há problema em ajudar um líder nessas coisas. Mas o Novo Testamento não estabelece o cargo de “escudeiro” na igreja, nem diz que um pastor precise ter alguém nessa função. Os escudeiros dos relatos bíblicos não servem de modelo pra criar esse cargo, porque atuavam num contexto militar.
O cuidado maior está no que a função passa a significar. Se “escudeiro” for apenas o nome dado a uma pessoa que presta ajuda prática, é preciso avaliar suas tarefas como se avaliaria qualquer outro serviço na igreja. Mas, se a função colocar alguém numa posição de lealdade pessoal ao pastor, como se fosse seu protetor ou tivesse de atender às suas vontades sem questionar, isso vai contra o ensino de Jesus. Ele ensinou que a liderança entre seus seguidores não deve funcionar como domínio sobre os outros, mas como serviço (Marcos 10:42-45). Pedro também orientou os líderes a cuidar das pessoas sem agir como donos delas (1 Pedro 5:2-3).
Portanto, a igreja não precisa ter escudeiros. Ela pode organizar pessoas pra ajudar em necessidades reais, inclusive as dos seus líderes. Só não deve apresentar essa função como uma exigência bíblica nem usá-la pra dar a um líder um tratamento que contrarie a maneira de servir ensinada por Jesus.