A “escola de profetas” era, ao que tudo indica, um grupo de pessoas que viviam próximas de profetas como Samuel, Elias e Eliseu e aprendiam com eles. Mas a Bíblia não descreve uma escola com aulas, matrículas ou um curso pra formar profetas. Essa é uma maneira que usamos hoje pra falar dos grupos que o Antigo Testamento chama de “filhos dos profetas” ou “grupos de profetas”.
A expressão “filhos dos profetas” não quer dizer, necessariamente, que fossem filhos deles de verdade. Ela parece indicar pessoas ligadas a esses profetas, que conviviam com eles e seguiam sua orientação. Em 2 Reis 6:1-2, por exemplo, um desses grupos diz a Eliseu que o lugar onde moravam juntos ficou pequeno e pede permissão pra construir outro. Isso mostra uma convivência bem próxima, embora a Bíblia não conte exatamente como era o dia a dia deles.
Esses grupos aparecem em lugares diferentes. Em 1 Samuel 19:18-24, Samuel está com um grupo de profetas em Ramá. Quando Saul envia homens pra prender Davi, eles encontram o grupo profetizando, e os mensageiros também começam a profetizar. Mais tarde, isso acontece até com o próprio Saul. O texto mostra Samuel à frente daquele grupo, mas não explica o que eles diziam nem como eram instruídos.
Na época de Elias e Eliseu, havia grupos em Betel e Jericó. Eles sabiam que Elias seria levado naquele dia e falaram disso com Eliseu (2 Reis 2:3-5). Depois, alguns reconheceram que Eliseu havia recebido a missão de continuar o trabalho de Elias (2 Reis 2:15). Em outra ocasião, durante uma época de fome, Eliseu estava com um grupo desses em Gilgal (2 Reis 4:38-41).
Será que uma pessoa se tornava profeta simplesmente por participar de um grupo assim? Não. Aprender com um profeta não era o mesmo que receber de Deus uma mensagem pra anunciar. Quando Amós diz que não era profeta nem “filho de profeta”, ele explica que cuidava de rebanhos e figueiras até que Deus o chamou pra profetizar (Amós 7:14-15). Seu chamado não dependia de pertencer a um desses grupos.
Portanto, é melhor entender a “escola de profetas” como comunidades ligadas a profetas de Deus, e não como uma instituição formal que produzia profetas. A Bíblia nos deixa ver que esses grupos existiam e conviviam de perto com Samuel, Elias e Eliseu. Ela não dá detalhes suficientes pra afirmar que todos eram levitas, que seguiam um programa de estudos ou que qualquer pessoa podia se tornar profeta por meio desse aprendizado.