A resposta direta é: ela não se encaixa facilmente. A escala de tempo usada pelos geólogos indica que a Terra tem bilhões de anos, enquanto a visão da Terra jovem entende que ela foi criada há poucos milhares de anos. Cristãos que defendem essa visão propõem outras explicações pras rochas e pros fósseis, mas essas explicações são discutidas e não representam o entendimento predominante na geologia.
Pra entender a diferença, vale separar duas coisas. A coluna geológica é a sequência de camadas de rocha encontrada em diferentes partes do mundo. Já a escala de tempo geológica é a tentativa de organizar essas camadas e os acontecimentos ligados a elas numa história com datas. As camadas são observáveis; as datas são conclusões tiradas do estudo delas e de outras evidências.
Os geólogos não chegam a essas datas apenas dizendo que um fóssil tem certa idade porque está numa camada e que a camada tem aquela idade porque contém o fóssil. Fósseis ajudam a comparar rochas de lugares diferentes, mas também se usam métodos de datação de certos minerais, além da análise da ordem e das características das camadas. Nenhum método responde sozinho a todas as perguntas. Ainda assim, o conjunto das evidências aponta, na geologia atual, pra uma história da Terra muito longa.
Quem defende a Terra jovem costuma entender os dias da criação em Gênesis 1 como dias comuns e usar as genealogias bíblicas pra concluir que a criação é relativamente recente. Muitos também atribuem uma grande parte das camadas sedimentares e dos fósseis ao dilúvio dos dias de Noé. Essa proposta procura levar a sério o relato bíblico. A dificuldade é explicar, dentro de um período tão curto, o conjunto das camadas, sua distribuição pelo mundo e as diferentes medições de idade. O dilúvio está relatado em Gênesis 6–9; o texto, porém, não diz que ele formou a maior parte das camadas geológicas da Terra. Essa é uma interpretação que precisa ser avaliada à luz das evidências.
E o que a Bíblia afirma com clareza? Ela ensina que Deus criou os céus e a terra (Gênesis 1:1) e apresenta a criação como obra dele. Também ensina que o mundo não existe independentemente de Deus (Colossenses 1:16-17). Mas a Bíblia não apresenta uma escala de tempo geológica nem declara diretamente a idade da Terra. Há cristãos que reconhecem a autoridade das Escrituras e, ainda assim, entendem de maneiras diferentes os dias de Gênesis e o que as genealogias permitem calcular.
Às vezes se diz que Deus poderia ter criado uma Terra jovem com aparência de antiga. Como afirmação sobre o poder de Deus, isso é possível. Mas essa possibilidade, por si só, não mostra que foi o que aconteceu nem explica por que tantos tipos de evidência apontariam pra uma longa história. É importante não tratar uma possibilidade como se fosse uma conclusão demonstrada.
Portanto, a visão da Terra jovem não aceita a escala de tempo geológica tal como ela é normalmente entendida; ela precisa propor outra interpretação pra parte importante das evidências. Ao mesmo tempo, aceitar uma Terra antiga não exige negar que Deus seja o Criador. O melhor caminho é levar a sério tanto o que Gênesis de fato diz quanto o que as rochas mostram, sem afirmar que a Bíblia fornece datas que ela não fornece e sem fingir que as dificuldades científicas não existem.