Esaú era filho de Isaque e Rebeca, neto de Abraão e irmão gêmeo de Jacó. Ele nasceu primeiro. Por isso, tinha o direito de primogenitura, que incluía uma parte maior da herança da família. Mas a história dele ficou marcada pela maneira como abriu mão desse direito e pelo conflito que veio depois.
Antes de os gêmeos nascerem, Deus disse a Rebeca que deles viriam dois povos e que o mais velho serviria ao mais novo (Gênesis 25:21-23). Esaú se tornou um caçador habilidoso e era o filho preferido de Isaque. Jacó, por sua vez, era o preferido de Rebeca (Gênesis 25:27-28).
Certo dia, Esaú voltou do campo com muita fome. Jacó havia preparado um ensopado e pediu, em troca de um prato, o direito de primogenitura do irmão. Esaú aceitou. A Bíblia não esconde que Jacó se aproveitou da situação, mas também diz que Esaú desprezou seu direito de primogênito (Gênesis 25:29-34). Ele tratou algo de grande valor como se valesse menos que uma refeição.
Anos depois, aconteceu outro episódio, diferente da venda da primogenitura. Isaque, já idoso e com a visão fraca, quis dar sua bênção a Esaú. Rebeca então ajudou Jacó a se passar pelo irmão. Jacó enganou o pai e recebeu a bênção. Quando Esaú descobriu, ficou profundamente aflito e passou a querer matar Jacó, que fugiu de casa (Gênesis 27). O engano de Jacó foi errado; a promessa de Deus sobre o futuro dos irmãos não o justificava.
Muito tempo depois, Jacó voltou e teve medo de reencontrar Esaú. Mas o encontro foi bem diferente do que ele esperava: Esaú correu até ele, abraçou-o, e os dois choraram (Gênesis 33:1-4). Mais tarde, Esaú passou a viver na região de Seir. Seus descendentes ficaram conhecidos como edomitas e formaram um povo distinto dos israelitas, descendentes de Jacó (Gênesis 36:1, 6-8).
A vida de Esaú ensina, sobretudo, a não trocar algo importante por uma satisfação imediata. É por isso que Hebreus 12:16-17 o apresenta como advertência: depois, ele quis receber a bênção e chorou por ela, mas não conseguiu desfazer o que havia acontecido. Essa passagem fala das consequências de sua escolha; não precisamos concluir, a partir dela, que Deus se recusa a perdoar quem se arrepende.
A história dos irmãos também aparece em Romanos 9:10-16. Paulo lembra que Deus falou do futuro deles antes que tivessem praticado o bem ou o mal. Seu ponto é que os planos de Deus não dependem de quem nasce primeiro nem podem ser conquistados por esforço humano. Os cristãos entendem de maneiras diferentes todas as consequências dessa passagem para a questão da salvação individual. O que a história de Esaú deixa claro é que Deus cumpriu o que havia dito, apesar das escolhas — boas e ruins — feitas pelos dois irmãos.