Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Existem erros no Alcorão?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Depende do que se quer dizer com “erro”. O Alcorão contém passagens que levantam dificuldades históricas e outras que entram em conflito com o que a Bíblia ensina sobre Jesus. Mas é importante separar essas questões. Uma diferença entre cópias antigas não é, por si só, um erro histórico; e uma passagem difícil não deve ser chamada de erro antes de considerarmos como ela é entendida por quem segue o Islã.

Uma pergunta comum é se o Alcorão que existe hoje reproduz exatamente, em cada detalhe, o que Maomé recitou. Segundo relatos da própria tradição islâmica, nas primeiras décadas depois da morte de Maomé surgiram diferenças de recitação. O califa Uthman mandou preparar cópias de um texto padronizado e ordenou que outros materiais escritos fossem retirados de circulação. Hoje também são conhecidas diferentes leituras tradicionais do Alcorão.

Isso não significa que o texto atual seja inteiramente diferente do antigo. Significa que a afirmação de que *nunca houve nenhuma variação* é forte demais. E vale aplicar o mesmo cuidado à Bíblia: seus manuscritos também apresentam variantes. Nesse caso, comparar os manuscritos ajuda a estudar como o texto foi transmitido; não seria correto ignorar essas variantes de um lado e usá-las como argumento decisivo do outro.

Há ainda passagens discutidas por possíveis dificuldades históricas. Em Alcorão 20:85-95, por exemplo, um personagem chamado *as-Samiri* aparece no episódio do bezerro de ouro. Algumas traduções o chamam de “samaritano”. Se esse nome quiser dizer que ele pertencia ao povo samaritano conhecido da história posterior, surge um problema: esse povo está ligado a acontecimentos muito posteriores à época de Moisés. Muçulmanos respondem que *as-Samiri* pode ter outro sentido e não identificar o personagem como membro desse povo. Por isso, a passagem levanta uma dificuldade real, mas a tradução da palavra, sozinha, não resolve a discussão.

Algo parecido acontece com os supostos “erros científicos”. Alcorão 18:86 descreve um viajante vendo o sol se pôr numa fonte de água escura. Lida como uma afirmação sobre o lugar físico onde o sol se põe, a frase estaria errada. Mas também é possível entendê-la como a descrição do que parecia acontecer aos olhos daquele viajante — assim como dizemos, no dia a dia, que o sol “se põe”. É preciso levar essa possibilidade em conta antes de usar o texto como prova de um erro.

Pra um cristão, porém, a diferença mais importante não depende dessas passagens difíceis. O Alcorão nega que Jesus tenha sido crucificado, conforme Alcorão 4:157. Já a morte de Jesus na cruz é central nos relatos do Novo Testamento, e sua ressurreição está no centro da mensagem anunciada pelos apóstolos (1 Coríntios 15:3-8). As duas afirmações não podem estar certas ao mesmo tempo. A questão principal passa a ser qual testemunho temos razões para aceitar sobre Jesus.

Assim, a resposta é: há razões para questionar a afirmação de que o Alcorão é uma revelação sem erros, mas nem todo exemplo usado pra defender isso é conclusivo. Algumas passagens exigem cautela; a divergência sobre Jesus é clara. Do ponto de vista da fé cristã, é sobretudo à luz de quem Jesus é, do que aconteceu com ele e do testemunho bíblico sobre isso que o Alcorão deve ser avaliado.